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Rui Oliveira (Emirates) teve motivos de sobra para festejar no coração do Porto, onde este domingo venceu a última etapa da Volta a Portugal. Foi a sua primeira vitória no ciclismo de estrada, ele que é nada mais que campeão olímpico de pista.
"Antes de mais, dedicar esta vitória ao Finlay [Tarling], a toda a sua família, ao seu irmão Joshua, a toda a NSN. Foram dias difíceis. Não quero imaginar o que estão a passar. Disse ontem [sábado] que ia com ele no 'coração' e em pensamento. Ia tentar ganhar para lhe dedicar. Consegui apontar para o céu. A euforia era muita no final, mas, no fim, esta vitória foi para eles e para quem esteve aqui comigo hoje: a minha namorada, os meus amigos, a minha equipa e toda a gente que estava à espera da minha vitória.
Foi um circuito duríssimo, mas estava a passar em casa, em Gaia e no Porto. Sabia que tinha de dar o meu melhor. Apanhei-me na frente cedo demais. Estava só à espera que me passassem, como, no fundo, passam sempre, mas, desta vez, ninguém passou e consegui ganhar nos Aliados.
Se pudesse já ter ganho antes, ia fazer tudo para ganhar antes. Não precisava de ser nos Aliados, mas estou sem palavras. Vinha muito motivado, mas as pernas já iam cansadas. Foi todo o público e todo o sofrimento que me moveram. Só falta o meu pai aqui, e o meu irmão, obviamente, que está em Andorra a preparar a Vuelta. Tenho de agradecer a toda a equipa da UAE, porque me deixaram vir aqui concretizar um 'sonho' que sabiam ser muito importante para mim. Era uma pressão muito grande chegar ao último dia e ainda não ter vencido. Se calhar, é o destino. Assim teve de ser para ter uma coisa bonita.
É óbvio [que gostaria de regressar à Volta a Portugal]. Após ter conquistado uma etapa em casa e esta camisola dos pontos, quero voltar. Foi um final agridoce pela razão que todos sabem [morte de Finlay Tarling]".
Quem também teve motivos para festejar foi o vencedor da Volta a Portugal, Alexis Guerin:
"A Volta era o meu único grande objetivo neste ano. É como um 'sonho' [vencer]. Fiz tudo para a Volta. Treinei muito para a Volta. Falei muito com o Rúben, com o meu gregário, o Louis Ferreira. Toda a equipa trabalhou a 200% para mim. Muitas pessoas julgavam que o Artem [Nych] ia correr para si, mas o Artem também correu por mim. Os corredores e o 'staff' trabalharam muito para mim. Não podemos ganhar quando uma equipa não trabalha como uma equipa. Não ganhei a Volta. A Anicolor-Campicarn ganhou a Volta.
Hoje, vou comer dois quilos de chocolate. Quero beber um bom vinho. Depois, espero descansar um pouco. Estarei com o meu filho e voltarei a Portugal na semana seguinte.
O meu próximo objetivo é ajudar os outros corredores da equipa. Neste ano, não tenho mais objetivos. Vou trabalhar para a minha equipa, para os outros corredores que ganharam. Somos uma equipa. Todos os corredores podem ganhar.