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A Kelly-Simoldes-UDO não pode "ambicionar a muito mais" do que ganhar uma etapa na 83.ª Volta a Portugal, embora "o muito empenhado" Luís Gomes possa sempre surpreender enquanto luta pelas classificações secundárias.
"Não podemos ambicionar a muito mais que isso [uma etapa ou classificação secundária], temos de ser realistas. Ganhar uma etapa, ganhar uma camisola, tentar ter gente nas principais etapas nas fugas. A nossa equipa passará por isso. Nem sequer vamos equacionar um terceiro lugar por equipas, como conseguimos o ano passado. Acho isso praticamente impossível", admitiu à Lusa Manuel Correia.
O diretor desportivo da Kelly-Simoldes-UDO sabe que tem um corredor especial entre os eleitos para a 83.ª Volta a Portugal, e conta com o antigo vencedor da classificação da montanha (2019) e dos pontos (2020) para projetar a equipa.
"O Luís [Gomes] parece-nos estar muito bem, [vamos] ver se ele não tem nenhum azar, porque este ano já teve o infortúnio de ter uma queda que o impediu de estar ao mais alto nível quase durante toda a época", lembrou.
Manuel Correia nem hesita ao dizer que preferia que Luís Gomes se centrasse em lutar pelas outras camisolas, porque, na sua opinião, "é mais importante ganhar uma classificação secundária- ou montanha ou camisola por pontos, por exemplo- ou uma etapa do que fazer nos 10 primeiros da Volta".
"Isso tem muito mais impacto, dá mais retorno aos patrocinadores, e para nós era mais importante. Mas o Luís é um corredor que já me habituou e, cada dia, me surpreende mais. Vejo-o muito empenhado, muito focado. Logo ali na etapa da Torre vemos como as coisas correm. Partimos com um objetivo e, a partir dali, podemos ter de alterar o objetivo do Luís", pontuou, em declarações à agência Lusa.
O experiente diretor desportivo reconhece estar expectante quanto ao desenrolar da 83.ª Volta a Portugal, que estará na estrada entre quinta-feira e 15 de agosto, dada a ausência da W52-FC Porto, a estrutura que 'imperou' na prova na última década.
"Este ano vai ser uma Volta sem W52-FC Porto, é uma Volta diferente, vai ser um bocado atípica. Mesmo nós não sabemos quais vão ser os procedimentos das principais candidatas, neste caso da Glassdrive-Q8-Anicolor, que, às vezes, bloqueiam as etapas. No ano passado, havia aquela 'guerra' FC Porto-Glassdrive e, muitas das vezes, com alguma inteligência, íamos tirando partido dessa 'guerra'. Neste momento, a Glassdrive tem estado superdominadora e não sei...", disse.
Manuel Correia quer ver "quem é que se assume". "Isso também é importante. É que a equipa do FC Porto, quando partia com um objetivo, ganhasse ou perdesse, assumia. Dizia ao que ia. E a Glassdrive que é, sem dúvida, a principal candidata, se quiser ganhar também vai ter de o fazer, porque se não também pode correr o risco de, numa etapa ou outra, deitar tudo a perder. Quem vai para ganhar, tem que assumir os custos da corrida. Isso, às vezes, tem um preço a pagar", notou.
Perante o domínio da Glassdrive-Q8-Anicolor ao longo da temporada, o diretor da Kelly-Simoldes-UDO não tem dúvidas que os grandes candidatos são Frederico Figueiredo, Mauricio Moreira e António Carvalho, o trio de líderes daquela equipa, aos quais se junta Alejandro Marque (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), o terceiro classificado do ano passado e vencedor da Volta2013.
"A Volta a Portugal é sempre uma caixa de surpresas. Na Volta, aparece sempre um outro corredor que se destaca. Espero bem que isso aconteça, porque é bom que surjam novos valores, ciclistas jovens com qualidade, porque isto aqui é o melhor palco que eles têm", referiu, salientando também o novo papel da Caja Rural, "que não vai estar na Vuelta e deverá vir com mais ambição" para esta edição.
Embora o percurso pareça menos duro, Manuel Correia Manuel Correia".
"Por dois motivos: é muito dura e é a seguir ao dia de descanso, e a seguir ao dia de descanso normalmente há gente que não reage muito bem e pode ficar ali afastado da discussão da Volta a Portugal. Isso também é um fator muito importante a ter em conta", sublinhou.
Kelly-Simoldes-UDO
Equipa: Adrián Bustamante (Col), Afonso Silva (Por), António Ferreira (Por), César Fonte (Por), Hélder Gonçalves (Por), Luís Gomes (Por) e Tiago Leal (Por).
Diretor desportivo: Manuel Correia.
Por Lusa