O presidente do Governo Regional da Madeira (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, insistiu esta 4.ª feira que o setor do golfe é "crucial" para o desenvolvimento da região e reagiu às críticas da oposição indicando que a economia regional cresce há quatro anos consecutivos.
No decurso do debate mensal com o executivo, na Assembleia Legislativa, subordinado ao tema economia, o líder da bancada do JPP, o maior partido da oposição madeirense, desafiou o presidente do Governo a explicar a sua "obsessão" pelo golfe, considerando o investimento previsto de 100 milhões de euros no setor.
Élvio Sousa alertou para a "realidade dura" dos madeirenses, com a inflação mais alta do país (3,2%) e o custo de vida mais elevado, sublinhando que aquela verba dava para construir 500 casas.
"O senhor vai ficar marcado neste mandato por esbanjar 100 milhões de euros em golfe, quando as prioridades são a habitação, a saúde, o custo de vida", sustentou.
Miguel Albuquerque reagiu, afirmando que "o investimento no golfe é crucial para o desenvolvimento da região" e explicou que os novos campos -- um na Ponta do Pargo, na zona oeste da Madeira, já em fase de conclusão, outro no Faial, na costa norte, ainda em projeto -- serão geridos por privados.
Na Ponta do Pargo, segundo disse, está previsto um investimento privado na ordem dos 110 milhões de euros em infraestruturas hoteleiras e moradias, que vão criar mais 500 empregos, ao passo que no Faial os estudos apontam para um investimento privado de 142 milhões e a criação de 180 postos de trabalho.
"Acha que isto não é importante?", questionou, acusando o JPP de "tentar enganar os incautos".
Antes do debate, na intervenção inicial, o presidente do Governo Regional, também líder da estrutura regional do PSD, tinha indicado que a Madeira sinalizou, em 2025, máximos em todos os parâmetros macroeconómicos e o Produto Interno Bruto (PIB) regional ultrapassou os 8.000 milhões de euros, um crescimento de 80% em 10 anos.
Segundo disse, os últimos quatro anos foram de "crescimento consecutivo", sendo que o investimento privado é agora três vezes superior ao público e a taxa de desemprego mais baixa, com recorde de 133 mil pessoas empregadas em 2025.
"As políticas públicas têm sido as corretas para criar emprego e estimular o investimento", sustentou, destacando o empenho dos agentes económicos, dos trabalhadores e das famílias.
Miguel Albuquerque destacou também a redução fiscal, com a aplicação do diferencial fiscal de 30% em todos os escalões do IRS, o ISP mais baixo na região, o IVA à taxa reduzida de 4% para bens essenciais e eletricidade e IRC à taxa geral de 13,3%.
No decurso do debate, a bancada do PS desafiou o executivo a aplicar o diferencial fiscal também em todas as taxas do IVA, considerando que o custo de vida na Madeira é o mais elevado do país e que os últimos dados apontam para uma taxa de risco de pobreza que abrange mais de 50 mil madeirenses.
Albuquerque afirmou, contudo, que não fará qualquer redução no IVA a não ser através do princípio da capitação, mesmo que isso lhe custe perda de votos.
O líder da bancada socialista, Paulo Cafôfo, reagiu dizendo que os madeirenses já perceberam que a riqueza criada na região está mal distribuída e que a filosofia do executivo face ao aumento do custo de vida assenta no "desenrasca-te".
Pelo Chega, Miguel Castro quis também saber quais as medidas que o Governo Regional vai adotar para mitigar o aumento do custo de vida, considerando a crise energética motivada pela guerra no Médio Oriente.
Miguel Albuquerque avançou que, além da redução do ISP, vai também aumentar de 20 para 25 euros o apoio ao gás em botija.
Já o deputado único da IL, Gonçalo Maia Camelo, avisou que, apesar dos recordes de desempenho económico apresentados pelo executivo, as pessoas e as empresas estão "mais preocupados com o futuro" e perguntou se estão previstas medidas excecionais e temporárias face à crise energética.
Gonçalo Maia Camelo também alertou para a quebra do investimento estrangeiro na Madeira e para a estagnação da Zona Franca.
O chefe do executivo disse que todas as medidas serão em "função da evolução da crise" e, como tal, de curto prazo, realçando, por outro lado, que a Zona Franca da Madeira está a ser prejudicada por lóbis ao nível da Comissão Europeia, mas assegurou que o novo regime de benefícios fiscais está a ser negociado e que a criação de um registo de aeronaves "continua a ser uma aposta".
No debate em plenário, participaram também os secretários regionais da Economia, o centrista José Manuel Rodrigues, dos Equipamentos e Infraestruturas, Pedro Rodrigues, e do Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, que tutela os assuntos parlamentares.