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A partir de sexta-feira, o centro da Europa vira... a Oriente. Até dia 28, Baku recebe a edição inaugural dos Jogos Europeus, uma nova competição multidesportiva que vai juntar na capital do Azerbaijão milhares de atletas de 50 países da Europa. É nesta cidade que une o este da Europa à Ásia ocidental, num país que faz fronteira com a Rússia, a Arménia, a Geórgia, a Turquia e o Irão, que se vai fazer história. Os Jogos Europeus vêm ocupar uma posição onde o Velho Continente não tinha presença: depois dos Jogos Asiáticos, Pan-Americanos, Pan-Africanos e dos Jogos do Pacífico, também a Europa terá os seus Jogos, numa iniciativa dos Comités Olímpicos europeus.
Foi em dezembro de 2012, em Roma, que o organismo aprovou a nova competição, para muitos ainda desconhecida. Tal como os Jogos Olímpicos, os Jogos Europeus juntam várias modalidades e realizar-se-ão de quatro em quatro anos. Mas as semelhanças poderão terminam aí: para lá da dimensão, os Jogos Europeus querem ser um evento moldado aos novos tempos. Numa altura em que muitas das nações do nosso continente não transpiram saúde no que à economia diz respeito, ficou assente que cada país que organizar os Jogos Europeus terá liberdade para adaptar o programa às infraestruturas existentes. A 1.ª edição acabou por ser entregue ao Azerbaijão, país com economia emergente e que desde cedo revelou vontade política em receber a prova.
Grande investimento
Em Baku estarão presentes cerca de 6 mil atletas, 101 dos quais portugueses. O investimento azeri foi grande. Só nas infraestruturas desportivas o país da ex-URSS gastou qualquer coisa como 850 milhões de euros. Grande parte foi aplicado no novíssimo Estádio Olímpico, com capacidade para 65 mil espectadores e que será um dos palcos do Euro’2020. A riqueza vinda dos poços de petróleo permitiu uma extensa renovação da capital do Azerbaijão: dos 18 espaços que vão receber provas, cinco foram construídos de raiz.
O programa, esse, terá 20 desportos, menos oito que, por exemplo, os Jogos Olímpicos do Rio. Quatro das disciplinas não fazem parte do programa olímpico: basquetebol 3x3, futebol de praia, karaté e sambo, desporto de combate com grande força nos países do Leste europeu. As disciplinas de ginástica aeróbica e acrobática, também ausentes dos Jogos Olímpicos, estarão em Baku.
Mas os Jogos Europeus sofrem com a concorrência. Apesar da vontade em ter os melhores atletas, a verdade é que o apertado calendário, ainda mais em ano de apuramento olímpico, não permitiu acordos com federações de peso como as de atletismo ou natação. Na natação haverá limitação de idade e no atletismo apenas participam países da 3.ª divisão. Houve também algumas vitórias inesperadas: o principal triunfo da organização terá sido trazer para Baku os Europeus de judo, após a desistência de Glasgow. As duas competições vão assim realizar-se em simultâneo, pelo que os melhores judocas europeus não deixarão de marcar presença.
NÚMEROS
6 mil atletas de 50 países estarão presentes nos Jogos Europeus de Baku. A capital do Azebaijão vai assistir, por exemplo, à estreia do Kosovo como nação independente num evento multidesportivo
18 é número de locais de competição dos Jogos de Baku. Doze são construções permanentes e seis temporárias. Cinco das instalações são novas (a Arena Nacional de Ginástica, o Velopark, o Centro Aquático de Baku, o Centro de Tiro de Baku e o Estádio Olímpico)
30 meses foi o tempo que passou desde a decisão dos Comités Olímpicos Europeus em entregar a 1.ª edição a Baku até ao arranque da prova, marcado para sexta-feira. Num país rico em petróleo e gás natural, dinheiro para ter tudo pronto a tempo não foi um problema...
850 milhões de euros foi quanto o Azerbaijão investiu nas infraestruturas desportivas para os Jogos Europeus. Só o Estádio Olímpico de Baku, que será um dos palcos do Euro’2020, custou mais de 430 milhões de euros