A menos de 48 horas da cerimónia de abertura da 1.ª edição dos Jogos Europeus, Baku ainda se prepara. Há obras nas estradas, dão-se os últimos retoques nos edifícios e até os motoristas dos autocarros parecem ainda um pouco perdidos. Mas uma coisa é mais que certa: a bandeira que João Costa vai carregar amanhã no novíssimo Estádio Olímpico já cá está.
Foram precisos dois meses, oito países, mais de 7 mil quilómetros e a vontade férrea de um homem para tal acontecer. Jorge Cristóvão, ideólogo e ator principal do projeto Lisboa2Baku, chegou ontem à capital do Azerbaijão, após uma longa aventura numa bicicleta elétrica, que começou na Torre de Belém, a 10 de abril. À sua espera, o estado-maior de Baku’2015, entre eles Simon Clegg, diretor-executivo da competição, Azad Rahimov, ministro do Desporto e Juventude e Mehriban Aliyeva, presidente do Comité Organizador e… primeira-dama do Azerbaijão.
"A viagem foi mais fácil do que imaginava, no aspeto em que não tive tantas complicações como aquelas que esperava. Estava a contar com montanhas de dificuldades", conta o ex-militar, de 53 anos, ainda a recuperar dos sete quilos perdidos durante estes dois meses, feitos a uma média de 122 km por dia: "Na Turquia passei um bocado mal. Eles têm muito borrego e eu não vou à bola com isso [risos]. Agora no Azerbaijão come-se bem!" Não admira, portanto, que desde que entrou no país anfitrião dos Jogos Europeus, Cristóvão já tenha recuperado dois quilos…
Surpresa
Numa das mais bonitas praças da renovada Baku – o Azerbaijão não olhou a meios –, Jorge entregou ao Chefe de Missão José Garcia a viajada bandeira nacional, perante alguns dos atletas portugueses que já chegaram ao país e de três pessoas muito especiais: a mulher Lina e os dois filhos André e Andreia, que viajaram para o Azerbaijão sem Jorge saber. "Foi uma surpresa inimaginável", diz emocionado o ciclista, cuja ideia deu um toque especial ao Dia de Portugal e das Comunidades. "Tem um significado muito grande chegar neste dia e quero transmitir aos atletas que o esforço, a dedicação e o empenho compensam", frisa.
Protocolo a quanto obrigas
• Trinta minutos antes do evento, ainda se limpavam escadas e varria a passadeira vermelha por onde Mehriban Alyeva, figura idolatrada no país, ia passar. O que fazer antes, durante e após a chegada da primeira-dama foi explicado tintim por tintim. Seguranças, protocolo rígido, tudo milimetricamente controlado, mesmo que a visita não tenha durado mais que 15 minutos...
Lazer e trabalho de mãos dadas
Quando um grupo de portugueses vê uma mesa de matraquilhos, é quase impossível não dar uns toques. Foi isso que aconteceu durante a visita dos jornalistas à aldeia dos atletas, complexo de 13 torres, que alberga mais de 7.500 atletas e membros do staff. "Quem é que está a jogar com o FC Porto?", pergunta-nos Nermin, a nossa guia azeri, para surpresa geral. A explicação é simples: Nermin tem uma irmã que estuda em Viana do Castelo. "Sei que o FC Porto é atualmente a melhor equipa de Portugal", conta-nos. Uns concordam, outros não. Os ânimos ficam serenados quando a jovem promete uma ida a Portugal.
A aldeia dos atletas é um espaço de lazer – há duas mesas de bilhar, quatro de matraquilhos e duas de ténis de mesa, cabeleireiro, massagens grátis e restaurante aberto 24 horas – mas também, obviamente, de trabalho: ontem, já o ginásio com mais de 130 máquinas estava cheio de atletas. Outros aproveitavam os espaços verdes para correr ou os campos de basquetebol e ténis para experimentar outros desportos, apesar dos mais de 30 graus às primeiras horas do dia.
A comitiva nacional, essa, está na Torre 4, junto a um verdadeiro bloco de Leste: Rússia, Polónia, Kosovo, Roménia, Lituânia e Estónia.