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Tamila Holub e a experiência de ser embaixadora nos Jogos Olímpicos: «Parecíamos o Pai Natal»

Tamila Holub
• Foto: COP

Tamila Holub quer ser a primeira portuguesa a participar nos Jogos Olímpicos de verão e de inverno, com a antiga nadadora a 'descobrir' a neve em Milão-Cortina'2026 e a encantar-se ao ponto de desafiar-se a estar nos Alpes'2030.

Selecionada para ser embaixadora na última edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, Tamila Holub sentiu "outra vez" "a emoção" e o espírito olímpico em Milão-Cortina, onde trabalhou para o Comité Olímpico Internacional, "sem a pressão de competir", e acompanhou os atletas, sendo o seu "primeiro ponto de contacto" com o evento.

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"Éramos nós que lhes explicávamos o funcionamento das aplicações, que lhes dávamos os prémios dos patrocinadores. Nós ficámos com o melhor papel, porque os atletas vinham connosco [e] nós parecíamos o Pai Natal. [...] Eu dizia que éramos as pessoas mais adoradas da Aldeia Olímpica, de longe", brincou.

Durante os Jogos, que decorreram entre 6 e 22 de fevereiro deste ano, a antiga nadadora olímpica, de 27 anos, teve "a sorte de ter ficado em Predazzo, que era a vila onde era só o esqui de fundo e os saltos".

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"As provas de esqui de fundo foram as que eu tive a possibilidade de assistir. E eu comecei a ver 'ui, isto até é engraçado'. O impacto do treino pareceu-me ser semelhante àquilo que era a natação, no sentido de que era muito treino à base de aeróbio", pormenorizou à Lusa.

Nem cinco meses após ter anunciado o final da carreira nas piscinas, Holub já tinha percebido ter ainda "algo para dar" ao desporto nacional, mas não na natação, modalidade em que "já não conseguia mesmo".

Embora o seu contacto com a neve se resumisse a estágios em Serra Nevada, em que estava numa piscina e "via a neve lá fora", considerou o esqui de fundo "interessante, bonito de se ver, incrível de praticar", e recebeu um workshop de José Cabeça, olímpico em Pequim2022 e Milão-Cortina2026.

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"Foi-me dando umas dicas. E ele dizia-me o que era para fazer e eu até conseguia. 'Mas tu consegues fazer isto?'. Também não sou uma pessoa que começa de zero. Eu tenho 10 anos de alto rendimento pelas costas. Acho que dá o seu impacto", vincou, em entrevista à Lusa.

Enquanto experimentava os esquis, a olímpica no Rio2016 e Tóquio2020 também foi recebendo umas sugestões do treinador de Cabeça, o norueguês Ragnar Bragvin Andresen, que a desafiou a viajar até ao país nórdico.

"Disse-me 'olha, sem nenhum compromisso, daqui a um mês, se quiseres passar uns dias na Noruega e experimentar de uma forma mais séria, eu terei todo o gosto de te ajudar'. Rimo-nos um bocado, eu volto a Portugal e recebo uma mensagem dele 'como é que estamos?'. E eu 'siga'", revelou.

Holub resume essa oportunidade como "incrível" e assume considerar "um sucesso" ter caído "menos de 100 vezes" - as quedas, e as "negras" daí resultantes, são apontadas pela antiga nadadora como as maiores dificuldades neste novo desafio.

"Foram quatro dias em que eu, de manhã, tive a sorte de ter sempre o Ragnar por perto. Estamos a falar de uma pessoa com muita experiência na área: ele foi campeão do mundo de roller skis, ou seja, no sentido de biomecânica, de detalhes, ele é impecável. Eu também tenho-me focado muito para essa vertente, não fazer por fazer, mas perceber o porquê", destacou.

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A campeã europeia júnior dos 1.500 metros livres de 2016 encontrou logo uma linguagem própria" com Andresen, que se sentiu motivado com a missão, "porque não é qualquer treinador que pode dizer que teve um atleta nos Olímpicos de verão e de inverno".

"O facto de poder deixar esta marca, o facto de poder fazer este impacto dá-me aquela motivação adicional. Claramente, totalmente", confessa à Lusa, admitindo que "se tudo correr dentro dos planos", espera estar nos Jogos Olímpicos de Inverno Alpes2030.

Por Lusa
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