Na jornada inaugural de competição nos Jogos Paralímpicos de Paris, Carla Oliveira começou por vencer a brasileira Laissa Teixeira, por 4-2 (2-1, 1-0, 1-0 e 0-1), mas perderia na sessão de tarde com a alemã Anita Raguwaran, por 7-2 (0-2, 1-0, 1-1 e 0-4), adiando para sexta-feira a decisão sobre o apuramento para os quartos de final do torneio de BC4. Após o desaire com a germânica, a portuguesa fez o seu balanço do dia.
"Mais um dia, mais uma prova e mais um jogo. Estivemos muito tempo no pavilhão (ndr: 6h30 entre o primeiro e o segundo jogo). Um cansaço, se calhar, mais acumulado. Independentemente disso, o jogo tem sempre circunstâncias diferentes. Não conseguiu o objetivo que seria ganhar. Independentemente disso, nesta fase sabemos que os pormenores que contam e foi nos pormenores que se calhar o jogo ficou mais condicionado, ainda que seja uma derrota aparentemente pesada. Acho que o jogo em si não foi uma discrepância tão grande, mas de qualquer forma, é o resultado que conta", começou por contar.
"O que corre menos bem à tarde? Eu acho que qualquer jogo tem as suas interferências e eu neste caso, acho que senti demasiado frio aqui no pavilhão. Independentemente disso, não terei feito se calhar a minha parte e obviamente que estamos aqui todos para o mesmo para vencer. E acho que é nos pormenores que se destaca a diferença. E se calhar foi nos pormenores que eu falhei", explicou.
E como foram essas horas entre o primeiro e o segundo jogo? "Optei por não sair do pavilhão, por manter a concentração aqui. Independentemente disso, acho que houve uma mudança de temperatura a nível do pavilhão, pelo menos eu senti bastante e acho que isso me terá condicionado. Optei depois por ter que jogar de casaco para facilitar, mas pronto, já tinha esfriado bastante. Mas pronto, a preparação também se fez nesse sentido. Achei que estar por cá seria mais fácil a gestão de tempo e de cansaço também. E é acreditar no jogo em si. Depois é uma questão de pormenores e foi nessa base que o jogo não terá sido tão favorável", sublinhou.
"Por vezes acontece. Claro que é muito mais difícil estarmos parados. Seria muito melhor estar em acção, mas é o que nós temos. Com o que nós temos, nós temos que fazer o nosso melhor e tentar dar a volta a esses desafios", acrescentou.
Agora, Carla vai defrontar uma atleta húngara. "Sim, eu acho que agora as contas estão todas em aberto. Só tenho um objetivo neste momento que será vencer o próximo jogo. É muito curioso porque nós andamos num jogo: ganhei ela, ganho eu. Portanto, são jogos muito difíceis, porque ela é muito, muito boa atleta. Nós fomos juntas à final do Europeu, eu ganhei. Numa prova imediatamente a seguir no World Open, na Póvoa de Varzim, fomos à final e eu perdi no parcial de desempate. Portanto, foi um jogo muito renhido, muito bola a bola, portanto terei que me focar mesmo no meu melhor. E acho que aí será mais uma vez uma questão de pormenores, aquela que falhar mais ou a que deslizar, é que vai acabar por ceder", afirmou a atleta.
A medalha muito especial que tem é a sua filha? "Sim, saber que a minha filha está lá fora à minha espera é o maior consolo que eu posso ter e continua a ser a minha maior motivação para vencer", respondeu
E foi um ciclo paralímpico complicado? "Mais do que complicado, acho que foi desafiante. A nível emocional, nós colocamos muita coisa em cima da mesa e até eventualmente a hipótese de continuar ou não no desporto, porque a conciliação da maternidade com o desporto é sempre muito complicado. Felizmente até aqui tenho conseguido conciliar e passa também por aí essa conciliação muito desafiante, mas confiante de que se vai conseguir o objetivo", disse a atleta do Futebol Clube do Porto.
"O desporto adaptado no Futebol Clube do Porto é uma bandeira, não é do clube. Portanto, eu acho que, independentemente de ser uma bandeira do antigo presidente de Jorge Nuno Pinto da Costa, penso que não será de facto a mudança de presidente a colocar em causa a existência ou não do desporto adaptado. Pelo contrário, eu acho que haverá cada vez mais a perspetiva de investir nesta área e acho que faz todo o sentido que assim seja, porque podemos crescer ainda muito nessa área. E era excelente que outros grandes clubes também tivessem desporto adaptado", sugeriu.
Por Marco Martins