Dois recordes do Mundo em duas semanas colocaram Marco Meneses na ribalta, mas o nadador natural de Castro Daire há muito que se habituou a ser o mais veloz, dentro e fora de portas. Aos 22 anos, já perdeu a conta aos títulos nacionais, é medalhado em europeus e mundiais e veio dos Jogos de Tóquio com dois diplomas. A menos de um ano e meio de Paris’2024, não tem medo em traçar a meta: desta vez, vai para lutar por medalhas.
Marco compete na categoria S11 - reservada a atletas invisuais - e conhece as piscinas desde cedo. "Entrei aos 6 anos, primeiro só como passatempo. Em 2016, desafiaram-me a ir a uma prova e consegui logo os mínimos para os mundiais... nem sabia que isso era uma possibilidade", explica o jovem nadador. A verdade é que os resultados apareceram de forma de natural e na tal estreia em mundiais, no México’2017, saiu com um 4º lugar na final dos 100 metros costas. Ao jovem que representa o Crasto, tudo parece sair com naturalidade quando entra na piscina: "A minha parte preferida é competir. De resto, fui melhorando e subindo nível à medida que fui treinando." Depois do México, viria a conseguir o 6.º lugar no Mundial'2019, em Londres' e a medalha de bronze, além de um 4.º lugar e dois 8.º, no ano passado, na Madeira.
Em Paris... a confiar nos autocarros
Da estreia em Jogos Paralímpicos, em Tóquio, trouxe dois diplomas, fruto do 8.º lugar nas finais de 100 costas e 50 livres... mas também uma história de um transporte atrasado que lhe custou a participação na prova de 400. "O autocarro que nos devia levar do hotel para a piscina chegou atrasado. Falhei a chamada por dois minutos e não me deixaram participar. Foi muito frustrante", recordou. Já com os mínimos para Paris'2024, aponta agora a voos mais altos: "O nível é elevado? Sim, mas estando lá, só posso pensar em lutar pelas medalhas."
Madeira tem sido ilha talismãA Madeira começa a parecer uma ilha talismã para Marco Meneses. Afinal, foi lá que, no verão passado, conseguiu a primeira medalha em Mundiais e onde, há duas semanas, bateu o recorde do Mundo dos 200 metros costas da Classe S11.
Recorda com carinho a prova de 2022: "Foi muito bom sentir o apoio do público e conseguir a medalha de bronze nos 100 metros costas". O mês passado foi de recordes, o primeiro conseguido num meeting em Sheffield, no Reino Unido... e da forma mais inesperada. "Na verdade, achava que conseguia o dos 200 metros costas. Superei o recorde anterior, mas um atleta italiano que acabou por vencer a prova foi ainda mais rápido. Acabei por bater o dos 50 metros, que não estava à espera." Ainda assim, o desejado recorde dos 200 metros só demoraria mais duas semanas a chegar. Na Madeira, voltou a apontar à marca e, desta vez, ninguém lhe fez frente. "Entro nas competições focado em dar o meu melhor e, claro, em ganhar. Depois, na sequência disso, podem aparecer recordes e claro que fico feliz com isso." As distâncias, é certo, não fazem parte do programa Olímpico na classe S11, mas os recordes deixam claro que Marco está pronto para competir com os melhores.
Por Vasco Borges