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O velocista congolês do Sporting Dorian Keletela e o pugilista afegão Farid Walizadeh foram esta segunda-feira anunciados como os 'portugueses' que integram, novamente, o programa de Refugiados Olímpicos do Comité Olímpico Internacional (COI), agora para Paris2024.
"Ficaram felizes por poderem continuar a treinar na persecução de um sonho. (...) É evidente que é fantástico para eles. Sem estas bolsas, não conseguiriam [evoluir como atletas]. Sem esta bolsa, teriam de estar a trabalhar, pois não têm família que os sustente. Trabalhando, não conseguem treinar duas vezes por dia, algo muito importante na carreira de um atleta", disse à agência Lusa a coordenadora do projeto 'Viver o desporto, abraçar o futuro', do Comité Olímpico de Portugal (COP).
Maria Machado recorda, no entanto, que esta bolsa permite a estes refugiados dedicarem-se por inteiro ao desporto, contudo precisam ambos de passar ainda por provas seletivas nas respetivas modalidades para disputarem, de facto, os Jogos Olímpicos.
Dorian Keletela conseguiu competir em Tóquio2020, integrando a equipa de 29 refugiados do COI, contudo Farid Walizadeh não pôde disputar o torneio decisivo de apuramento, em Londres, quando apertaram as regras de combate à pandemia de covid-19 e as autoridades não lhe permitiram entrar no país. "É ótimo eles continuarem [com esta bolsa], num percurso [desportivo] em que o COI reconhece o seu potencial", acrescentou a responsável.
Portugal candidatou estes dois atletas ao projeto do COI, contudo o COP está "recetivo" a apresentar outras sugestões, caso surja, no seio de refugiados no país, alguém "com um percurso desportivo que justifique", sendo que Maria Machado lembrou a condição fundamental da "determinação, trabalho e persistência" para se ser bem-sucedido. "Para estar na alta competição, é preciso, além de boa capacidade física e atlética, muita determinação e força de vontade. É difícil, nestes percursos têm de abdicar de várias coisas. Mas é o sonho deles. É continuarem nesta persistência. Felizmente há esta oportunidade", reforçou.
Dorian e Farid fazem parte dos 44 refugiados apoiados pelo COI oriundos de 12 países e que vivem em 16 nações diferentes, representando um total de 12 modalidades.
Para "aguentar" um programa destes, com custos além dos suportados pelo apoio do COI, Maria Machado apela à "sociedade civil" para ser parceira do COP nestes projetos de valorização social do desporto, admitindo ser "complicado" persistirem sem "financiamento externo".
Em jeito de balanço, Maria Machado destaca o "orgulho" e "sentimento de missão cumprida" do COP e do seu programa 'Viver o desporto, abraçar o futuro', revelando especial entusiasmo pela especificidade dos desportistas em causa. "São de facto dois jovens fantásticos, um exemplo de sobrevivência e determinação na procura do seu sonho. Exemplos de determinação e resiliência para qualquer pessoa. Honra-nos que os consigamos ter próximos e que possam servir para inspirar outros", concluiu.
Hoje, dia 20 de junho, celebra-se do Dia Mundial do Refugiado.
Por Lusa