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Marta Pen Freitas: «Por uma coisa externa não pude mostrar o que sou capaz»

• Foto: COP

Ainda à espera do resultado do recurso apresentado pelo COP por conta do sucedido na sua eliminatória - foi 'bloqueada' pela marroquina Rababe Arafi na fase final da corrida -, Marta Pen Freitas surgiu visivelmente emocionada na zona mista do Estádio Olímpico pelo facto de ter falhado o apuramento para as meias-finais dos 1500 metros. À RTP, a atleta lusa não escondeu a tristeza, mas frisou estar orgulhosa por aquilo que conseguiu neste caminho.

"Às vezes o desporto, tal como na vida, temos algum talento, investimos e trabalhamos o máximo possível para agarrar as oportunidades mas uma pandemia acontece... Nos 1500 metros é comum haver este tipo de situações [contacto com outra oponente]. Claro que é sempre mais difícil de gerir quando é connosco e quando... Estou bastante orgulhosa da minha preparação até aqui, claro que queria um resultado para conseguir mostrar. No desporto não interessam os treinos, temos de chegar à pista e fazer", começou por referir Marta Pen.

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"Sinto que estava numa forma incrível, tenho feito imenso trabalho para voltar aqui cinco anos depois, trabalhado com as pessoas certas. O Benfica, que me tem apoiado sempre, o Lidl e o meu projeto com a Brooks, nos Estados Unidos. Isso gera e exige de mim, muitas vezes, alguns sacrifícios, que valem a pena por poder vir aqui. E aqui nada é merecido, é conquistado! Eu infelizmente, por uma coisa externa a mim não fui capaz de conquistar aquilo que era capaz. Mas o desporto é assim. Custa um bocadinho, mas estou super orgulhosa, sou uma felizarda por fazer aquilo que amo, que gosto", acrescentou.

Marta Pen Freitas lembrou ainda o seu início na modalidade e deixou uma mensagem. "Comecei no Desporto Escolar... É uma das coisas que queria dizer. Os meus pais não tinham cultura desportiva. O meu pai inicialmente até pensava que o atletismo não era para miúdas. Fui eu quem trouxe o desporto para casa. Sem sistemas como o Desporto Escolar, que conseguem recrutar miúdos e sensibilizá-los pelo desporto e pelas oportunidades que têm, eu nunca seria capaz de estudar fora de Lisboa. Os meus pais não teriam possibilidades. Através do atletismo, começando pelo Desporto Escolar, passando pelo Benfica, consegui tornar-me atleta internacional, viajar pelo mundo, crescer muito. Isto tudo começa às vezes com pequenas oportunidades, com a sensibilização de que o desporto existe, que vale a pena lutar pelos nossos objetivos e sonhos, mesmo que os nossos pais digam 'epá, isso não é bem para miúdas...'. Em todos os trabalhos temos desafios, mas vale sempre a pena fazer o tipo de trabalhos pelos quais estamos entusiasmados. Queremos correr mais uma milha, trabalhar mais uma hora, porque tem significado para nós. Mas pronto... Hoje dói muito, isto tem um significado muito importante para mim. mas eu estou orgulhosa. Só triste com o resultado...", finalizou.

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Por Fábio Lima
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