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A imprensa estrangeira considerou hoje que o futuro do Dakar está fortemente comprometido.
Em França, os principais jornais nacionais referem que a anulação da 30.ª edição da prova devido a ameaças terroristas pode significar o fim da mais mediática prova de todo-o-terreno.
"A anulação desta edição do Dakar pode bem significar a morte dos rali-raids no continente africano", considerou o Libération.
Para este jornal, é "difícil acreditar" numa 31.ª edição, apesar das promessas dos organizadores de regressar em 2009.
Sob o título "O rali Dakar vítima do terrorismo", o Fígaro escreve: "inevitavelmente coloca-se a questão sobre o futuro do rali, já ameaçado num grande número de países africanos, que atravessa desde as suas primeiras edições".
"A prova parece em perigo devido à destabilização da zona por risco terrorista", refere o France Soir.
O diário desportivo L´Equipe deixa também no ar a possibilidade de não voltar a haver rali em África. "O futuro dirá se a realização de um Dakar em solo africano está ainda no domínio do possível".
"Como é evidente, para o primeiro acontecimento desportivo de renome internacional directamente anulado devido ao terrorismo, o aumento do perigo no norte do continente não leva ao optimismo", afirma o jornal.
Na imprensa espanhola as previsões mantém-se. Para os diários espanhóis, o terrorismo "matou" a prova.
O El Mundo escreve categoricamente que a rede terrorista da Al Qaeda "matou o Dakar". Para este jornal, a anulação da prova devido à ameaça terrorista constitui um "desastre económico" e uma má noticia para o continente africano.
O ABC e o Razon também não fogem às afirmações negativas. O primeiro periódico escreve que a "Al Qaeda liquidou o Dakar", e o segundo utiliza a expressão: "dinamitou".
Para o desportivo Marca, "Bin Laden sabotou o Dakar", enquanto que o jornal da Catalunha La Vanguardia considera que "o Dakar foi ferido de morte".
Recorde-se que o rali, que deveria arrancar hoje, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, foi cancelado sexta-feira devido a uma ameaça terrorista, um dia depois do governo francês ter desaconselhado fortemente os seus cidadãos, incluindo os participantes na prova, a deslocarem-se à Mauritânia.