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O piloto João Ferreira (Toyota Hilux) terminou a 48.ª edição do rali Dakar de todo-o-terreno na 18.ª posição dos automóveis mas promete regressar em 2027 com o objetivo de vencer a competição.
O piloto luso, natural de Leiria, terminou a 13.ª e última etapa do rali deste ano na sétima posição, a 53 segundos do vencedor, o sueco Mathias Ekstrom (Ford Raptor), após os 105 quilómetros cronometrados.
Na geral, João Ferreira ainda subiu uma posição, para o 18.º lugar. "Foi uma etapa divertida, sem pressão, e sabe sempre bem terminar o Dakar com um bom resultado. Agora o pensamento já está no Dakar 2027. Quero voltar com os mesmos objetivos deste ano: vencer", disse o piloto da equipa oficial da marca japonesa.
A competição foi ganha pelo qatari Nasser Al-Attiyah pela sexta vez. O piloto do Dácia Sandrider promete, agora, tentar bater o recorde de oito triunfos do francês Stéphane Peterhansel. "Ontem foi um dia importante, foi quando soubemos que tínhamos ganho. Esta é a minha sexta vitória, ainda preciso de bater o recorde do Peterhansel", frisou Al-Attiyah.
Já Maria Luís Gameiro (Mini) venceu a Taça das Senhoras. "Com a Rosa Romero, formámos uma dupla incrível e, além de terminar a prova, conquistámos a Taça das Senhoras. Uma vitória que simboliza resiliência, união e a força das mulheres", sublinhou.
Luta intensa nas motos
Nas motas houve drama até ao fim. O norte-americano Ricky Brabec (Honda) partira com 3.20 minutos de vantagem sobre o argentino Luciano Benavides (KTM). Mas a tarefa de abrir a pista foi mais difícil do que o esperado e Brabec perdeu-se nos últimos quilómetros sendo ultrapassado em pista por Benavides, que partira ainda com esperança num milagre.
O milagre acabou por acontecer e o piloto da KTM venceu pela margem mais curta da história da prova, apenas dois segundos, menos do que os 43 com que o seu irmão Kevin ganhou a edição de 2023 ao australiano Toby Price. "Dei tudo do início ao fim hoje. Nunca deixei de sonhar nem de acreditar. Disse às pessoas mais próximas de mim que não sabia porquê, mas sentia que ainda era possível. Nos últimos três quilómetros, o Ricky seguiu pelo trilho errado e eu segui pelo certo. Foi um lampejo de esperança. Vi a oportunidade e aproveitei-a", explicou Luciano Benavides.
O argentino estreou-se no pódio depois do quarto lugar conseguido no ano passado. "Tinha dito a toda a gente, antes da partida, que este Dakar era meu. Nove anos no Dakar e a minha primeira vitória. Eu e o meu irmão estamos a fazer história. Ele ganhou por quarenta e três segundos e eu ganhei por dois. Acho que, nesse aspeto, fico eu por cima! É um sonho tornado realidade. Dois segundos depois de duas semanas e mais de 8.000 quilómetros é difícil de acreditar", concluiu.
Edgar Canet (KTM) venceu a última especial, com seis segundos de vantagem face a Benavides.
O português Martim Ventura (Honda) foi nono, na frente do azarado Ricky Brabec, segundo dos Rally2. O piloto luso terminou a prova no 11.º lugar, terceiro das Rally 2 e segundo melhor estreante. "Foi um rali bom, com um saldo bastante positivo. Podia ter feito um Top 10 absoluto, mas tive um problema mecânico que demorei muito tempo a arranjar e atrasei-me bastante nesse dia. Mas estou muito contente, frisou o antigo campeão nacional de TT.
Uma prestação que deixou o diretor desportivo da Honda, o português Ruben Faria, "orgulhoso". "O Martim fez um rali muito inteligente e consistente. Soube gerir momentos difíceis de forma exemplar, venceu duas etapas e passou vários dias dentro do top 10 da classificação geral, o que é notável na sua estreia no Dakar", disse Ruben Faria.
Já Bruno Santos (Husqvarna) foi o 17.º da geral e esteve em destaque entre os amadores. "Consegui um 17.º lugar da classificação geral, um sétimo classificado na categoria Rally 2. Penso ainda que sou um dos melhores, senão o melhor dos pilotos que não são profissionais muito perto de pilotos de fábrica que se dedicam todo o ano à competição", disse.
Em 2027, a prova volta disputar-se na Arábia Saudita.