Rola El-Halabi vai tentar este sábado voltar a ser campeã mundial de boxe, num combate que se irá disputar na Ratiopharm-Arena de Ulm, na Alemanha, e onde a rival vai ser Lucia Morelli.
Toda esta história seria vulgar, caso a pugilista alemã de origem albanesa não tivesse sido baleada pelo padrasto em abril de 2011, ficando com a carreira praticamente arruinada.
El-Halabi encontrava-se no pavilhão desportivo de Berlim a preparar um combate pelo título mundial, quando Hicham Roy El-Halabi, o padrasto e ex-treinador que estava revoltado por ter sido trocado, entrou nos balneários e disparou por quatro vezes, baleando-a nos dois pés, no joelho esquerdo e na mão direita.
“O meu pai quis ver-me acabada, mas não vai ver o seu desejo cumprido. Saí como campeã mundial e irei regressar dessa forma”, afirmou a pugilista ao jornal alemão “Bild”.
Depois de largos meses numa cadeira de rodas, de cinco operações e seis meses de treinos, Rola regressou aos ringues, não só para lutar pelo título mas também para tentar acabar com todas as recordações que ainda a atormentam.
“Ainda tenho pesadelos. A noite de passagem de ano foi terrível, o som do fogo-de-artifício reavivou na minha memória tudo o que se passou naquele dia. A minha alma continua a sofrer mas irei transformar-me numa máquina de combate”, frisou.
Problemas financeiro
Qual “Million Dollar Baby”, Rola El-Halabi, de 33 anos, usou a recuperação e regresso aos ringues como terapia para tentar esquecer o sucedido e também para a ajudar a garantir a sua sobrevivência.
“Se as coisas correrem mal, isso significa não só o fim da minha carreira mas também que ficarei arruinada economicamente. O combate teve um custo muito alto e por isso estou condenada a ganhá-lo”, revelou ao jornal “Die Welt”.
Quando El-Halabi entrar amanhã no ringue, perante uma plateia que deverá rondar as 5 mil pessoas, vai estar em jogo o título de campeã mundial de pesos ligeiros e também o futuro de uma lutadora por natureza.