A pista de gelo que anualmente é instalada no Coliseu José Rondão Almeida em Elvas durante dois meses, recebe, este fim de semana, utilizadores especiais. Esta é a maior pista de gelo disponibilizada no país e a única com medidas aceitáveis para realizar jogos de hóquei no gelo, modalidade pouco vista em Portugal. Com a colaboração decisiva de Stanislav Kázecky, embaixador da Rep. Checa em Portugal, e do Município de Elvas, foi possível realizar no Alentejo os primeiros jogos de caráter internacional nesta modalidade.
No primeiro encontro, realizado ontem entre uma “Seleção” amadora de Portugal e uma equipa checa, venceram os portugueses por 6-4. Hoje, pelas 13h30, realiza-se um segundo jogo com os mesmos protagonistas. A equipa de Portugal é composta maioritariamente por habituais praticantes de hóquei em linha, alguns deles utilizadores do espaço ao ar livre da doca do Espanhol, em Alcântara, Lisboa. Outros treinam-se em pavilhões habituados a receber hóquei em patins, como é o caso de Vale de Lobos (Sintra) ou Murches (Cascais), onde se treina, por exemplo, Scott Polzen, um luso-canadiano que desde cedo começou a praticar a modalidade no Canadá e que agora tem a oportunidade de matar saudades do seu desporto favorito: “É certo que pratico habitualmente hóquei em linha, mas não é a mesma coisa. No Canadá, jogamos hóquei na rua”, conta a Record. Na equipa portuguesa, podemos encontrar outros luso-descendentes e também atletas que viveram durante algum tempo no Canadá, como é o caso de Maurício Xavier, presidente da Federação Portuguesa de Desportos no Gelo. Sendo uma equipa de amadores, encontramos nestes apaixonados pelo hóquei no gelo desde engenheiros a arquitetos, estudantes, informáticos, médicos e também um piloto de aviões.
Quanto à equipa checa, é formada por amadores que regularmente se encontram para jogar num recinto natural de gelo ao ar livre, em Praga, próximo da casa do embaixador, também ele amante e praticante da modalidade.
Dirigente pede pista em Lisboa
Estes encontros servem também para que estes atletas e a federação chamem a atenção para o facto de em Portugal não existir qualquer espaço permanente para a prática de desportos no gelo. “Nesta altura não temos qualquer atividade nem qualquer jogador inscrito e isso acontece porque não há uma única pista de gelo em Portugal”, queixa-se Maurício Xavier, líder da federação. Sendo que Lisboa é a única capital europeia onde não existe uma pista de gelo em permanência, este responsável aponta precisamente que esta seria a melhor solução: “Nós continuamos a acreditar que é viável. Sabemos que é caro e defendemos que poderá ser incluída num espaço multiusos e com a pista apenas disponível no inverno. Lisboa seria o local ideal, até para aproveitar o elevado número de habitantes de toda a região.”
Ainda nesta conversa com os jornalistas, Maurício Xavier deixou críticas à atuação da Federação Portuguesa de Patinagem: “A FPP olha para nós como concorrentes a abater.” Questionado sobre se esta modalidade poderia estar inserida nessa federação, este responsável responde de forma contundente: “Eles só olham para o hóquei em patins. Se eles nem apoiam as corridas nem a patinagem artística, como é que nos poderiam apoiar se olham para nós como ameaça?”
Kázecky, o embaixador-jogador
• Stanislav Kázecky, embaixador da República Checa em Portugal, explica que, juntamente com o futebol, o hóquei no gelo é uma das modalidades mais praticadas nesse país: “Qualquer povoação com 10 ou 15 mil habitantes tem uma pista e desde muito cedo se começa a patinar no gelo e a jogar hóquei.” Surpreendido por também em Portugal haver amantes da modalidade, Kázecky tratou de desafiar os amigos para conhecerem o país: “Não sabia que também se jogava em Portugal, conheci estes amigos maravilhosos e decidimos realizar este convívio.”