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Snooker: Regresso depois do calvário

Snooker: Regresso depois do calvário
• Foto: GETTY IMAGES

Uma verdadeira montanha russa! Assim se descreve a vida de Ronnie O’Sullivan, tal a tremenda apetência para altos e baixos. Desde o mediatismo que ser o melhor jogador de snooker do Mundo, até chegar às drogas, à depressão e a uma espécie de “retiro espiritual”, o inglês já passou por muito.

A história do atual campeão mundial de snooker começou a escrever-se bem cedo, tendo alcançado a primeira centena de pontos com apenas 10 anos (!), antes de conseguir o primeiro break máximo – série de colocação consecutiva de bolas nos buracos da mesa, sendo que o mais alto é de 147 –, aos 15. No ano seguinte, as suas potencialidades foram confirmadas com a assinatura do contrato profissional. Conhecido pelo estilo de jogo bastante rápido, que lhe valeu o alcunha de “The Rocket” (o foguete), O’Sullivan inscreveu o nome nos livros da modalidade em 1993, ao tornar-se no jogador mais jovem a vencer o campeonato britânico – aos 17 anos. Estava dado o tiro de partida para uma carreira bem sucedida.

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Enriquecendo o currículo com títulos ano após ano, o craque atingiu o topo. Na época passada, venceu o Campeonato Mundial pela quarta vez, para depois... se retirar. A atravessar um momento delicado, Ronnie decidiu fazer uma pausa na carreira. “Ele precisa de resolver alguns problemas pessoais, pois não consegue concentrar-se no snooker”, revelou o seu empresário, Django Fung.

Contudo, após 10 meses de reflexão num “exílio autoimposto”, o campeão está de volta, o que constituiu “uma notícia fantástica para o desporto”, segundo Barry Hearn, presidente da “World Snooker”. Já O’Sullivan, explicou o motivo do reatamento da carreira: “Cheguei à conclusão de que tinha de sair de casa e voltar a ter algum objetivo”. E a verdade é que o britânico não poderia ter maior desafio no imediato, uma vez que se prepara para iniciar a defesa do título mundial já no próximo dia 20 de abril, diante de um “outsider”, no Crucible em Sheffield. Veremos os efeitos deste “descanso prolongado”.

Polémico

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Apesar de lhe ser reconhecido um talento só ao alcance dos predestinados, que lhe tem permitido alcançar êxitos estrondosos, O’Sullivan é também bastante propício a polémicas. Para além das suas relações “pouco açucaradas” com os media, o craque não tem semeado simpatia junto dos adversários. Sendo o único jogador no ranking profissional que consegue jogar de igual forma com a mão direita e com a mão esquerda, por vezes beneficia dessa polivalência e alterna entre as duas na mesma jogada. Quando o fez pela primeira vez, o adversário, Alain Robidoux, acusou-o de desrespeito. Mas a resposta não tardou. “Jogo melhor com a esquerda do que tu com a direita”, provocou O’Sullivan.

Problemas

Além do temperamento muito particular, que por vezes lhe cria alguns problemas, o inglês não tem sido um poço de sorte a nível pessoal. Depois de lhe ser encontrada marijuana num teste de controlo de drogas em 1996 – que lhe retirou título Benson & Hedges Irish Master, ganho contra Ken Doherty – O’Sullivan convive diariamente com a detenção do seu pai – cumpre prisão perpétua por homicídio. Várias dificuldades que o mergulharam numa profunda depressão.

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