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Horas depois de vencer o Mundial, e quando Record falou com ela, Teresa confessou: “Acho que ainda não caí em mim!” Agora que a poeira assentou, quisemos saber, afinal quando é que caiu a ficha? “Foi só mesmo quando estava no pódio, no dia seguinte. Só nesse dia, no momento em que me entregaram a medalha, é que percebi. Quando vi a minha equipa eufórica a cantar o hino. Eu estava a ouvi-los. E foi um momento único. Foi aí que pensei ‘ganhei... fogo!’ É um orgulho enorme”, recorda agora a atleta de 22 anos.
Teresa sempre se destacou na modalidade desde que começou a competir no circuito de esperanças. Mas nunca tinha sido chamada à Seleção. O responsável pela escolha, este ano, foi Duda Birra, que está à frente da equipa nacional desde 1994. Foi também Duda que viu o ouro chegar a Portugal por Dora Gomes e Gonçalo Faria (Cascais, 1998), e Manuel Centeno (Califórnia, EUA, 2006). “Já conheço a Teresa há alguns anos, pois tenho o privilégio de poder acompanhar praticamente todas as provas de bobdyboard nacional. Além disso, fizemos um estágio em Peniche antes de serem escolhidos. Nesse estágio, juntamente com a sua prestação este ano a nível internacional, a Teresa destacou-se. Revelou-se uma aposta positiva!”, diz a Record o representante da Federação Portuguesa de Surf (FPS).
Quanto a Teresa, o balanço não podia ser mais positivo. “Foi incrível, a equipa deu-se toda bem. Houve muito espírito de grupo. Acho que isso foi fundamental. Conseguimos chegar ao último dia com quase toda a equipa na luta. Acho só que nos faltou aquela estrelinha nos momentos certos”, recorda agora.
Também o capitão da equipa, Hugo Pinheiro, que trouxe para Portugal um 7.º lugar na categoria sénior, mostrou-se muito orgulhoso da atleta. “Foram dias muito intensos. Tive o privilégio de ser capitão e puxar por eles. Era uma equipa nova e a Teresa foi uma aposta muito bem-sucedida. Ninguém estava a espera nem que fosse convocada nem que fosse campeã do Mundo. Mas a verdade é que todos sabíamos o que ela vale!”, diz.
Quem também não podia estar mais orgulhoso desta equipa é o selecionador nacional de surf, David Raimundo, que ficou em terras lusas. “Foi com muito orgulho que fui acompanhando diariamente os nossos atletas. Saímos do Chile com uma campeã do Mundo, um feito que não é inédito, mas é um orgulho enorme para Portugal. Ainda para mais colocámos mais duas atletas em duas finais – Miguel Adão em 4.º e a Madalena Guerra em 3.º. E o 4.º lugar na classificação final foi uma excelente prestação, que vem provar que, ao contrário do que algumas pessoas querem fazer crer, o bodyboard em Portugal está muito bem, de boa saúde e recomenda-se. É preciso apostar neste desporto, porque temos dos melhores bodyboarders do Mundo”, defendeu David Raimundo.
Também Teresa elogia a modalidade. “O bodyboard tem estado um pouco aquém do que merece e de onde deve estar. Há muito tempo que não se via esta divulgação toda e ainda bem! Espero que seja uma boa ajuda para nos colocar onde merecemos. Temos ótimos atletas e tudo para dar certo agora”, diz a jovem, que nunca vai esquecer a receção que teve no aeroporto no passado dia 16. “Não fazia ideia do que me ia esperar ali. Demorámos cerca de uma hora desde que aterrámos até sairmos, porque perdemos as malas todas. Estivemos muito tempo ali, e eu estava sem bateria, mas tinha colegas a receber chamadas e a dizerem-me que eu não tinha noção do que se passava lá fora. Quando saímos, eles mandaram-me ir à frente. E... eu não queria acreditar! Não sabia o que havia de fazer. As pessoas agarravam-me. Os fotógrafos corriam para tirar fotos. Foi muito bom sentir todo aquele apoio. Acho que foi a melhor receção que podíamos ter”, recorda a campeã.
Este foi sem dúvida o melhor prémio que a jovem do Vimeiro já recebeu. Mas há outro que não esquece. “Foi quando fui pela primeira vez campeã nacional de esperanças, na Nazaré, tinha lá a minha família toda. Era o primeiro título importante que ganhava. Mas, nada como este. É como se fosse os Jogos Olímpicos e é claro que é o título que mais orgulho me dá. Foi a representar Portugal!”, conclui.