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Polo aquático português no contexto Internacional – Parte II

• Foto: Federação Portuguesa de Natação

Depois de falar com dois jogadores que contaram as suas experiências no Polo aquático numa perspectiva externa, achei importante ouvir outros testemunhos igualmente relevantes, nomeadamente para se perceber melhor como o polo português é visto internacionalmente.

Decidi falar assim com Rui Silva, dirigente do Clube Aquático Pacense (CAP). Em 2021 o CAP tomou a arrojada decisão de se propor como organizador de uma fase de qualificação da Euro Ligue Women da LEN, a qual teve lugar na piscina de Paços de Ferreira em Novembro. As equipas Participantes deste Grupo D da Fase de Qualificação da Euro Ligue Women foram o Clube Aquático Pacense (Portugal), Astralpool Sabadell (Espanha), Ekipe Orizzonte (Itália), Ethnikos Piraeus (Grécia) e SK Olympia Kosice (Eslóváquia). Para além da vertente competitiva, foi também uma experiência em termos organizativos, a qual terminou com enormes elogios à excelência da organização deste evento. Assim, como não podia deixar de ser, era importante falar com quem esteve no epicentro de tudo isto.

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À conversa com Rui Silva, dirigente do Clube Aquático Pacense.

"Iniciámos este percurso no polo aquático feminino na época 2017/2018 com uma equipa composta por atletas da nossa formação e por atletas que já tinham competido pela Gespaços. Este projeto assumido pelo treinador Francisco Noronha foi-se consolidando com o tempo, a equipa manteve sempre um percurso ascendente em termos de resultados e de qualidade de jogo, encurtando as diferenças para as equipas do topo do polo aquático nacional e foi, sem surpresa, que a equipa do Clube Aquático Pacense conquistou nas épocas 2018/2019 e 2020/2021 o direito de participar na Euroligue Women, a mais importante prova de clubes do polo aquático da Europa, por ter sido finalista vencida da Taça de Portugal. Com o crescimento do polo aquático pacense, este ano a direção do clube decidiu ter treinadores diferenciados para cada uma das equipas seniores, sendo que o Francisco Noronha ficou com a equipa masculina e João Pedro Santos foi contratado para orientar a equipa feminina. Decidimos deste modo que estava na altura de dar experiência internacional à equipa e apresentámos a candidatura para organizar uma das fases de qualificação para a prova mais importante de clubes da europa do Polo Aquático feminino. A Câmara Municipal de Paços de Ferreira acolheu esta ideia com entusiasmo, através do seu vereador do desporto, Paulo Ferreira, e com o seu imprescindível apoio, este evento tornou-se uma realidade. A organização de um evento deste calibre, foi mais um desafio para o clube, mas com o apoio logístico da autarquia pacense, conseguimos montar uma prova que foi muito elogiada pelos responsáveis da LEN, órgão máximo do polo aquático europeu, que afirmaram que a prova decorreu sem falhas e que estava ao nível do que melhor se faz na Europa, para isso também contribuíram os conselhos experientes de Paulo Ramos e Gilberto Lobo, que nos ajudaram nos aspetos técnicos da organização deste evento de topo. As nossas atletas receberam a notícia com muito entusiasmo e mostraram uma enorme dedicação e alegria nos treinos. A prova que esta foi uma decisão acertada, são os resultados desta época, em que a equipa tem demonstrado um crescimento enorme, conseguindo superiorizar-se a equipas que num passado recente mostravam uma qualidade superior. De registar que recebemos em Paços de Ferreira algumas das melhores equipas e jogadoras do mundo, inclusive muitas jogadoras medalhadas nos últimos Jogos Olímpicos, o que proporcionou experiências enriquecedoras às jogadoras e ao mesmo tempo ao nosso clube, porque desta experiência conseguimos retirar ensinamentos para o futuro. Um destes conselhos veio dos responsáveis da equipa do Astralpool Sabadell que explicando o crescimento do seu clube afirmou que só quando existe uma base forte, com jogadoras da "casa" é que faz sentido apostar em contratações internacionais pontuais que venham acrescentar qualidade à equipa. Em jeito de curiosidade, para que se possa ter ideia da diferença das realidades, as equipas presentes em Paços de Ferreira têm orçamentos para a equipa feminina na ordem de muitas centenas de milhares de euros, algo impensável em Portugal em qualquer modalidade feminina, exceto talvez no futebol. Foi-nos até confidenciado que um dos clubes que está sempre presente na Euro Ligue é financiado pelo clube através da receita de bilheteira dos jogos em casa do seu clube na Liga dos Campeões de Futebol, ou seja, cada receita é entregue a cada modalidade do clube, num valor superior a um milhão de euros! Para finalizar só tenho a agradecer a todas as empresas que se associaram a este evento dando o seu contributo, à Câmara Municipal de Paços de Ferreira e à Junta de Freguesia de Paços de Ferreira, e pais e atletas, elementos fundamentais para que esta organização fosse uma realidade. Está provado que estas experiências são fundamentais para o crescimento da modalidade e da nossa parte existe todo o interesse em dar esse contributo, só é pena que não existam mais apoios de quem mais deveria zelar pelo crescimento da modalidade, ou seja, a Federação Portuguesa de Natação".

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No mundo do Polo Aquático, outro tipo de intervenientes relevantes são, muito naturalmente, os árbitros. O Luís Santos é, com o todo o mérito, um nome incontornável da arbitragem portuguesa. Árbitro internacional, reconhecido e respeitado, é uma das vozes mais experientes para testemunhar o modo como também os árbitros portugueses são vistos lá fora e o que devemos esperar do desenvolvimento do Polo, nomeadamente pela introdução de regras que procuram definir um novo rumo para a modalidade.

À conversa com Luis Santos, árbitro internacional.

"A nível internacional, no que diz respeito á arbitragem, Portugal tem representação de árbitros nos quadros LEN e FINA. Além disso, no TWPC da LEN temos, há vários anos, um delegado português, também ele um ex-árbitro. No contexto internacional existe uma ligação directa entre a participação de Seleções/Clubes nas competições e a nomeação de árbitros de cada pais para a respectiva competição. Por regra uma competição do nível de um Campeonato da Europa, cada pais apurado, tem um árbitro nomeado, sendo acrescentados à competição os chamados árbitros neutros, ou seja, árbitros que são nomeados sem a sua seleção estar a participar na competição. Neste patamar, temos, nos últimos anos, conseguido felizmente colocar elementos portugueses nestas competições de topo.

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A nível de competição de clubes, mesmo com a ausência prolongada dos representantes portugueses, que teve a sua retoma esta época com o Vitória de Guimarães em Masculinos e Clube Aquático Pacense em Femininos, sempre existiu uma regular participação de árbitros português nas diversas fases das competições. De uma forma geral, os árbitros portugueses, neste contexto, são respeitados e reconhecidos pelas equipas, árbitros e delegados da LEN. A nível FINA, como apresenta um quadro de competições mais reduzido em termos de números de jogos a nossa participação está directamente ligada com a participação das nossas Seleções. Julgo que pelo Plano De Alto Rendimento apresentado, existirá uma maior participação das nossas seleções, o que é muito bom de forma a que o nosso polo aquático possa subir mais alguns patamares. A nível da LEN e da FINA percebe-se que existe um investimento muito grande em termos de arbitragem que é acompanhado por uma grande exigência, quer a nível de participação como de avaliação de desempenho. No que diz respeito ás recentes alterações das regras do jogo, julgo que não ficarão por aqui. Existe uma grande vontade em tornar o Polo Aquático num jogo mais veloz, e ao mesmo tempo reduzir os níveis de contacto físico do próprio jogo. É necessário um jogo "mais limpo" e atractivo e menos físico. Nos últimos 20 anos as regras foram sendo adaptadas e revistas sempre com essa preocupação e o resultado é muito positivo porque existiu o cuidado de envolver todos os intervenientes do jogo, jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes e depois tomar as decisões respectivas. Ora esta realidade isto exige dos árbitros uma nova aproximação ao jogo de polo aquático porque o jogo mudou muito e cada vez mais o nosso trabalho é escrutinado, o que a meu ver é extremamente positivo!".

Por António Gomes
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