Código de conduta dos tenistas mais permissivo

AS DIATRIBES de John McEnroe tornaram o norte-americano num dos exemplos de indisciplina no circuito profissional de ténis. Durante a década de 80 e até 1993, altura em que se retirou, o tenista exteriorizou as emoções em múltiplas situações, muitas delas caricatas, que deliciaram o público.

O início do ATP Tour, em 1990, restringiu significativamente a liberdade de os tenistas expressarem as emoções em situações desfavoráveis com se deparavam. Por isso, não foi de estranhar que McEnroe (um dos jogadores mais reincidentes) tivesse sido expulso logo no primeiro Grand Slam desse ano, o Open da Austrália, depois de ter aplicado alguns cognomes menos abonatórios ao árbitro.

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Para esta nova temporada, iniciada em 3 de Janeiro, não foi só a fórmula do "ranking" que mereceu a atenção do ATP Tour. Também o código de conduta foi revisto, com as regras de disciplina mais permissivas. Agassi, expulso no ano passado em San Jose por palavras menos próprias, foi um dos atletas que há muito reclamavam novas regras.

O que mudou? Basicamente, ao árbitro é dado o poder de interpretação das regras, quando anteriormente limitava-se a aplicá-las. Desta forma, a intervenção do árbitro é maior, mas apenas ao supervisor continua a ser permitida a expulsão, que, a acontecer, verifica-se apenas nas violações mais graves.

Antes de 1990, um jogador que violasse uma vez o código de conduta (por exemplo, ao atirar ostensivamente a raqueta ao chão) era advertido, enquanto uma segunda violação significava um ponto de penalização e uma terceira um jogo. Na quarta infracção, a pena a aplicar era a desqualificação, que, nas novas regras de disciplina do ATP Tour, foi substituída pelo jogo de penalidade. Se sucederem as violações, o infractor sofrerá uma penalização de um jogo, mas se a gravidade o justificar poderá ser expulso, mesmo que seja na primeira situação em que o jogador viola o código de conduta.

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Assim, um jogador que protagonize uma pequena violação não será imediatamente desqualificado como anteriormente, porque o novo código é, na sua essência, mais contemporizador.

MENOS DESCANSO

Outra das alterações no jogo introduzidas com o propósito de tornar o ténis mais atractivo é a abolição dos períodos de descanso, com duração de 90 segundos, quando a soma dos jogos do circuito masculino for ímpar.

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A partir de 3 Janeiro deste ano, os jogadores continuam a trocar de campo quando o somatório dos jogos resultar em número ímpar, mas sem o habitual período de descanso. Apenas é concedido aos tenistas um período de dois minutos no final de cada "set".

Entretanto, em experiência em circuitos satélites e nas eliminatórias da IV Divisão da Taça Davis vão estar novas bolas, com um diâmetro oito por cento maior, para conferir mais dez por cento de vantagem de resposta ao serviço. Para a terra batida, vão ser testadas bolas mais duras, com a intenção de acelerar o ritmo do jogo.

Também em ensaio está o sistema de vantagens, pretendendo-se abolir o actual desempate, com o jogo a ser ganho com a soma de dois pontos consecutivos. Para reduzir o tempo que se perde, aos 40-40 o jogador que recebe o serviço escolhe o lado do campo e quem vencer esse ponto ganha o jogo.

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J. P.

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