João Cunha e Silva abandona carreira

João Cunha e Silva abandona carreira

GANHOU, não jogou e a seguir anunciou o abandono. João Cunha e Silva, o pioneiro do ténis português no circuito profissional e um dos fortes pilares da selecção nacional desde 1984, afirmou, sábado, a Record que iria abandonar a sua carreira no final desta temporada. E a despedida foi na final de pares homens.

Cunha nem sequer precisou de entrar em campo com o seu parceiro Bernardo Mota para somar o seu quinto título nacional nesta variante. A lesão de Nuno Marques, momentos antes na meia-final de singulares, impediu a realização da final. E a seguir anunciou que deixaria de jogar ténis.

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Metade da geração de ouro do ténis português acabou. Marques e Cunha, cada um ao seu estilo, romperam barreiras e elevaram o nível tenistico a horizontes nunca pensados.

Durante muitos anos mantiveram-se colados junto àquela barreira psicológica dos 100 melhores do Mundo (Cunha teve o seu melhor ”ranking” com um 108º lugar em singulares e uma 72ª posição em pares) e foram os alicerces do desenvolvimento da modalidade.

Faltou pouco para Portugal, uma vez, ter chegado a disputar a eliminatória de acesso ao Grupo Mundial.

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Esta decisão de Cunha e Silva estava pensada ”desde o Verão” embora só sábado quisesse desvendar o mistério. Se o joelho estiver em condições, Cunha ainda jogará o Masters TMN em Espinho, e a seguir irá concentrar-se na actividade de coordenador técnico do Clube Escola Ténis de Oeiras.

”Foi uma decisão que me tirou algumas horas de sono, e não é de ânimo leve que abandono o ténis, mas algum dia tinha de ser e acho que este é o momento certo. Vou ser pai pela segunda vez, em Dezembro, tenho o projecto da escola de ténis que me está a aliciar bastante e este é o momento certo para abandonar”.

Cunha completa 33 anos segunda-feira e as suas maiores alegrias foram as vitórias como júnior no circuito sul-americano, ainda hoje um recorde, um triunfo no Torneio de Monterrey com 100 mil dólares e a conjugação de uma vitória em pares e de uma presença nas meias-finais num ATP Tour, em Telavive. Ao longo da sua carreira ganhou a Andrei Chesnokov, Emilio Sanchez, Brad Gilbert, Bjorn Borg e Horst Skoff.

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Futuro capitão da Davis

”Eventualmente estarei disponível”. Cunha e Silva não poderia ser mais esclarecedor quando lhe falámos na possibilidade de um dia mais tarde ser o capitão da selecção portuguesa da Taça Davis.

Sendo ainda o jogador com o maior número de internacionalizações e conhecendo bem os meandros do ténis internacional, Cunha e Silva é dos nomes mais falados para um dia suceder ao carismático José Vilela, antigo campeão nos anos setenta.

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”Tudo tem de ser bem ponderado, mas estarei aberto ao diálogo”, observa Cunha e Silva, ressalvando, porém, que essa ideia só pode ganhar alguma força a longo prazo. ”O cargo está bem entregue e, para já, não me seduz”, refere Cunha e Silva, que em tempos recebeu uma distinção da Federação Internacional por ter sido dos poucos jogadores no activo a ter mais de 50 internacionalizações.

José Vilela acredita que Cunha tem ”todas as possibilidades de ser um futuro capitão” e perante o quadro de duas baixas na selecção, afirma que vai dar seguimento ao seu projecto. ”A selecção não pára e se o Nuno Marques não recuperar da lesão no joelho, terei de chamar mais um jogador para a Taça da Europa, que será, muito provavelmente, o Tiago Vinhas de Sousa.”

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