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A 10 de Julho de 2001 comemorava-se mais um “Dia de Portugal”. No All England Club, arredores de Londres, Srdjan Ivanisevic receava que a qualquer momento o coração sucumbisse às emoções. Depois de um “bypass”, os médicos tinham-lhe dado ordens expressas para evitar situações de “stress.”
“Se morresse depois da final tudo estaria bem”, chegou a dizer. Nesse dia, Goran Ivanisevic, filho de Srdjan e Gorana, acabou por ganhar Wimbledon, à quarta tentativa e após ter perdido três finais (1992 com Agassi, 1994 e 1998 com Sampras). Fê-lo como ninguém antes conseguira: com um “wild-card” (era nº125 do Mundo) venceu o mais elitista dos torneios do Grand Slam, ao derrotar o australiano Patrick Rafter, por 6-3, 3-6, 6-3, 2-6 e 9-7, num encontro dirigido por Jorge Dias. Em duas semanas, Ivanisevic fez história e divertiu os jornais com uma “rábula” sobre esquizofrenia, garantindo que existiam três Goran: o Bom, o Mau e o das Emergências...
Garra
Ivanisevic é, com Marat Safin, um dos cabeças-de-cartaz do 15º Estoril Open, a realizar de 12 a 18 de Abril. E o seu percurso em Wimbledon em 2001 mostra a face mais visível de uma carreira que em 1992 o colocou como nº2 do Mundo e lhe valeu o epíteto de “rei dos ases” (em 1996 foram 1606). Ivanisevic, agora com 32 anos, nasceu em Split e, antes de enveredar em exclusivo pelo ténis, praticou basquetebol, futebol e foi atleta de corta-mato. O seu primeiro treinador, Ladislay Kacar, chamava-lhe “A lebre”, devido à rapidez e agilidade em campo. As dificuldades familiares e pessoais deram-lhe força e, paradoxalmente, um humor só comparável ao seu ídolo de sempre, John McEnroe. Com a guerra na antiga Jugoslávia, no princípio dos anos 90, Goran arriscava a vida para treinar, e chegava a ir armado para o campo, tendo vivido separado da família. Antes, Ivanisevic vira-se na contingência de jogar para salvar a irmã, Srdjana, a quem tinha sido diagnosticada a doença de Hodgkin. Todo o dinheiro que ganhava era para comprar medicamentos.
A guerra continuou a condicionar-lhe todos os passos. E, depois de ter sido o porta-estandarte da Croácia nos Jogos de Barcelona (92), quando o país ainda não era reconhecido, o hotel onde vivia, em Londres, teve de ser cercado pela polícia, devido a constantes ameaças de morte. Goran terá dito a amigos que sentia vontade de suicidar-se.
Tudo estava melhor já, quando veio com a Croácia à Foz, no Porto, para defrontar Portugal na Taça Davis, em 1994 (os croatas venceram 4-0). Dez anos depois de ter batido Emanuel Couto e Nuno Marques, Ivanisevic está de volta. Com a excentricidade própria de quem acordava de propósito para não perder um episódio dos Teletubbies...
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