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Dois anos depois de terem sido dados os primeiros passos num processo evolutivo das competições internacionais no nosso país, Portugal acolheu, em 1983, um Open da categoria “Grand Prix”, reunindo, no Estádio Nacional, nomes bem conhecidos como o sueco Mats Wilander (que seria o vencedor), Yannick Noah, José Higueras, Manuel Orantes e outros. O torneio tinha o “prize-money” de 250 mil dólares e tinha sido deslocado de Frankfurt para Portugal pela mão do empresário germânico Hans Burkert, devido a dificuldades com a transmissão televisiva.
O Open de Portugal foi o despertar para uma outra realidade, mas não criou os alierces indispensáveis que cimentassem um projecto nacional. A ideia era realizar o torneio todos os anos, em parceria com a Federação Portuguesa de Ténis, e apesar de ter feito a inscrição para o ano seguinte, a verdade é que nunca mais se organizou o evento. O que resultou deste “desvio” foi a travessia do deserto para o ténis português. Esse Open absorveu patrocinadores e durante dois anos o público não assistiu a qualquer espectáculo internacional. Nem os Circuitos Satélites, provas tão fundamentais para o lançamento de jovens.
Nessa altura foi importante a chamada de atenção de João Lagos para os perigos que poderiam advir para o ténis com esse compromisso de honra entre a FPT e o empresário alemão. Uma prova inadequada para o tempo. E bastaram poucos meses para se chegar à conclusão que tudo não passou de um fogo de vista. A Federação encaixou pouco dinheiro com o Open de 1983, mas a seguir viu-se a braços com as críticas de João Lagos.
A retoma de todo este processo, iniciado em 1981 com o primeiro Circuito Satélite em Portugal, a que foi acrescido um “aperitivo” com a Gala de exibição em Cascais entre o sueco Bjorn Borg e o norte-americano Vitas Gerulaitis, só foi possível em 1986, com um Open e uma verba substancialmente reduzida a 25 mil dólares. E simultaneamente foram retomadas as exibições que foram o prelúdio do Estoril Open, em 1990. Tudo no tempo certo, com os passos bem seguros.
E como reconheceu João Lagos, o crescimento sustentado do Estoril Open trouxe o “Masters”, em 2000, ao Pavilhão Atlântico. A consonância perfeita na visão estratégica.
Pedro Cordeiro: «Raquetas mudaram e a inveja é muita»
Para quem jogou o quadro principal do Open de Portugal há vinte anos, as mudanças no ténis desde essa altura não são significativas. Pedro Cordeiro que teve o privilégio de avaliar um outro ténis por parte do primeiro cabeça de série do torneio, o espanhol José Higueras, então nº 7 do Mundo, considera que a diferença substancial "tem a ver com a evolução das raquetas". De resto, o antigo campeão nacional e o pioneiro do profissionalismo do ténis em Portugal é da opinião que "em alguns casos até houve retrocesso ao nível das mentalidades. Os jovens pensam que isto de ser profissional do ténis é uma vida porreira e quando se dão conta das dificuldades desistem perante a falta de apoio. Antigamente éramos mais ousados, sabíamos o que queríamos".
Pedro Cordeiro é da opinião que o nível global do jogo evoluiu bastante e afirma que "hoje em dia temos bons treinadores. Há alguns resultados positivos, mas isolados e é uma pena não haver um programa, um projecto nacional para o ténis. A Federação com o pouco dinheiro que tem pouco pode ajudar e estamos num beco sem saída. E a inveja é muita".
Comparativamente com o estado do ténis de há 20 anos, Pedro Cordeiro esperava que "muita coisa tivesse mudado nestas duas décadas. Sinceramente, estava à espera que o ténis português tivesse outra evolução".
Vilela e Maio estrangeiros na Alemanha
Quem foi jogador de nomeada e tinha a ilusão de querer ser alguém não havia outra alternativa que não fosse emigrar. A Alemanha foi o país que albergou muitos dos nossos treinadores-jogadores. José Vilela, ainda na flor da vida (tinha 28 anos), emigrou para Karlsruhe deixando a Foz. "Ganhava em Portugal na altura cinco contos e passei a auferir 180 contos. A diferença era enorme". Partiu em 1978 e por lá ficou até 1985.
João Maio partiu mais cedo, aos 19 anos, também com destino a Karlsruhe. “Queria ser profissional e em Portugal não se ganhava dinheiro, nem tinha dinheiro para viajar”, diz Maio, que em 1983 jogou a fase de qualificação do Open através de um “wild card”.
No rol de treinadores emigrantes há a referir, entre outros, Miguel Soares, Gonçalo Portas, José Llorca, Luís Filipe, Luís de Sousas, Manuel de Sousa e Sérgio Cruz.