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Não se viram golos no clássico de Alvalade e bem se pode dizer que o resultado foi justo por aquilo que Sporting e FC Porto fizeram dentro de campo. Ambas as equipas entraram preocupadas em não perder o jogo e isso traduziu-se numa partida fechada, que, apesar de bem disputada, não permitiu grandes oportunidades. Para os leões, este empate deita quase por terra as aspirações ao título, dada a diferença pontual que terá de recuperar, em 16 jornadas, para águias e dragões. Embora não seja impossível reduzir a distância, não estou a ver Benfica e FC Porto a perderem tantos pontos em simultâneo.
No clássico de sábado, o destaque tem de ser dado aos jogadores da zona defensiva das duas equipas. Os guarda-redes Helton e Rui Patrício mostraram-se sempre seguros, enquanto que o sportinguista Onyewu (o Capitão América não deixou o Incrível Hulk fazer estragos) e o portista Rolando (Van Wolkswinkel teve dificuldades em passar por ele) pareceram estar sempre no controlo das operações.
Por outro lado, o portista Alvaro Pereira fez um jogo de grande esforço e o corte in extremis na linha de baliza, a um remate de Izmailov, foi a cereja no topo do bolo de uma prestação esforçada e conseguida, inclusivamente nas incursões ofensivas. Já o leão Insúa, com uma disponibilidade física enorme, ajudou ainda a compensar a exibição apagada do espanhol Diego Capel.
Se o Sporting foi a equipa com mais posse de bola e com mais oportunidades de golo (ainda assim poucas), já o FC Porto apresentou um meio-campo mais coeso e unido, rápido na pressão e recuperação de bolas, que lhe permitiu criar algumas transições ofensivas perigosas com regularidade. A partida terminou a zeros e nenhuma das equipas foi superior à outra. O jogo talvez tivesse sido diferente se nele estivesse um jogador de outros tempos, que por acaso até esteve nas bancadas de Alvalade: Jardel, um avançado marcante que representou os dois clubes. Com ele em campo, seria natural ver os golos a aparecer. Marcava em quase todos os jogos. Neste caso, como nenhuma equipa queria perder, com Jardel em cena, o espetáculo seria outro.
Embora os treinadores tenham falado em más decisões da arbitragem no final da partida, também não me parece que essa discussão faça sentido. Olhando para os últimos anos, este terá sido o clássico Sporting-FC Porto com menos casos polémicos. Apesar de estar em 3.º lugar, é de realçar o excelente trabalho que Domingos Paciência está a realizar à frente do Sporting. Recebeu uma equipa nova e incutiu-lhe uma dinâmica como há muitos anos não se via. É um dos melhores treinadores portugueses, ainda a competir em quatro frentes e que terminará a época, certamente, com títulos no bolso. Hoje, o Sporting joga olhos nos olhos com qualquer adversário e grande parte desse mérito é de Domingos.
O FC Porto também se apresenta em crescendo. Esta época, por fatores que lhe são alheios, Vítor Pereira não teve tarefa fácil e sobreviveu a um verdadeiro “cabo das tormentas”. Quis alterar o estado das coisas e encontrou novas soluções para a equipa. Esse processo de aprendizagem custou-lhe a Liga dos Campeões e a Taça de Portugal, mas continua atrás do principal objetivo, a Liga, onde ainda não perdeu e tinha melhor ataque e melhor defesa. A confiança de Pinto da Costa no treinador não surge por acaso.