A marca de Jesus

A marca de Jesus

Vejo com algum espanto o crescente número de vozes que se têm mostrado contra a continuidade de Jorge Jesus no Benfica. O seu trabalho não deve ser menosprezado e supera todos os defeitos que lhe possam apontar. Afinal de contas, este é o técnico responsável pelo melhor futebol que as águias exibiram na última década.

Há que dizê-lo: Jorge Jesus elevou o Benfica para outro patamar de qualidade, dentro e fora de portas. Foi campeão logo no primeiro ano, venceu três Taças da Liga e chegou sempre longe nas competições europeias, atingindo os quartos-de-final (duas vezes na Liga Europa e uma na Champions) e obtendo ainda uma meia-final (Liga Europa). Além disso, embora a situação esteja complicada, o Benfica ainda tem possibilidades de se tornar campeão este ano. Só a prestação na Taça de Portugal é que deixou algo a desejar.

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Mas o trabalho de Jesus não pode ser subestimado. Nos últimos três anos, o Benfica passou a ser visto com outros olhos pelos adversários. É uma equipa que impõe respeito, com uma confiança e dinâmica de vitória que não se sentiam no clube, por exemplo, com os técnicos antecessores José Antonio Camacho e Quique Flores. Além disso, o Benfica passou a jogar um futebol mais alegre e com muitos golos, que trouxe mais adeptos à Luz.

Não serve de atenuante, mas se também tivermos em conta que, na época passada, o Benfica teve de competir com um fortíssimo FC Porto de André Villas-Boas, cujo registo vitorioso só acontece de tempos em tempos, o trabalho de Jesus e o palmarés obtido em três anos têm de levar nota elevada, aconteça o que acontecer no final da época.

Jesus marcou uma forma de estar no futebol. É um apaixonado que vive e respira este desporto 24 horas por dia. Daí que, por vezes, no contacto com a comunicação social e adeptos, o seu lado mais egocêntrico venha ao de cima, fruto da dedicação que tem ao trabalho. Não é perfeito, mas acredita que pode lá chegar. E essa ambição, aliada à competência, são ferramentas que ajudam a conquistar títulos.

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Por acreditar no que faz, Jorge Jesus mostra também alguma teimosia. Nem sempre terá sido feliz na gestão dos plantéis e talvez seja este o maior erro que se lhe possa apontar. No entanto, o treinador mostrou na sua carreira que é um verdadeiro especialista na arte de potenciar jogadores. E com isso já ajudou o Benfica a fazer negócios fantásticos.

Di María sempre foi uma promessa adiada. E bastou uma época com o treinador português para que o argentino revelasse todos os seus atributos aos tubarões europeus, acabando por assinar pelo Real Madrid. E o que dizer de Fábio Coentrão? Um jogador que nem na 2.ª Divisão espanhola jogava, que vinha do Rio Ave, foi adaptado a lateral-esquerdo e rapidamente se tornou um atleta de dimensão internacional?

Esta é a faceta que melhor reflete o trabalho de Jesus. Sabe tirar partido do melhor rendimento dos jogadores, fazendo-os crescer de forma exponencial. Gaitán será certamente o próximo grande negócio do Benfica. Rodrigo e Nélson Oliveira vão pelo mesmo caminho. É com esse trabalho de laboratório nos treinos que as águias estão a conseguir produzir negócios de milhões e bom futebol. Jesus traz retorno desportivo e financeiro à sua equipa. É um dos melhores treinadores portugueses.

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