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Desta vez, Vítor Pereira não andou “às peitadas” a Antero Henrique nem a Nélson Puga. No momento dos golos, o treinador do FC Porto, que jogava em Donetsk porventura a sua sobrevivência profissional, quase que colocava as vísceras à mostra, exteriorizando loucamente as reprimidas emoções. E, quando o jogo terminou, Pereira entrou em campo e abraçou os jogadores. Aqueles que haviam sido os seus “carrascos” em Coimbra eram agora os “salvadores”. Pereira arriscou (e ganhou), mas bem pode agradecer a Hulk, Helton, Moutinho e... às “varizes do Shakhtar” que, aos 50 minutos, já dava sinais de iminente colapso físico.
Pereira arriscou muito. Sabe que a estabilidade competitiva construída sob a liderança de André Villas-Boas, ironicamente em palpos-de-aranha no Chelsea, foi um bem precioso que se perdeu. Para Pereira não fará muito sentido, agora, depois das “nuances” introduzidas numa equipa campeã que tinha ajudado a agigantar-se na sua qualidade de “adjunto”, tentar colar os cacos de uma “obra de arte” entretanto atirada ao chão. Por isso insistiu em Maicon a lateral direito. Por isso colocou Defour no “miolo”. Por isso apostou em Djalma. Com uma “equipa de risco”, o jogo tinha tudo para correr mal. Até porque cedo se percebeu que o carrossel atacante do FC Porto, com Hulk, Djalma e James a rodar sobre a posição de ponta-de-lança, dificilmente daria algum resultado. Deu. Porque Moutinho “descobriu” Hulk (onde na época passada aparecia Falcão); porque Hulk é um daqueles jogadores que consegue descobrir ouro no deserto; e porque, nesse momento, já o Shakhtar, em deficiente condição física, estava mais morto do que vivo.
Na segunda parte, o pontinho esteve sempre visível ao fundo do túnel. Mas a luz de mineiro de Moutinho -- que assistência! -- iluminou o caminho da equipa e, sobretudo, o de Vítor Pereira. Que não estará de novo “de cadeirinha” (de sonho), mas com “mais uma vida” para jogar....
Pereira mostrou-se agradecido e, na verdade, tinha razão para isso: os jogadores, desta feita, ao contrário do que havia acontecido em Coimbra, disseram não à “greve geral” e compareceram ao trabalho. Porventura ‘estimulados’ pelo “chicote” dos adeptos e pela ameaça dos (não) milhões. Não se pode brincar com coisas sérias.
É importante compreender por que razão, excetuando os casos das lesões, jogadores como Fucile, Otamendi, Sapunaru, Mangala, Belluschi, Defour, Guarín, Varela, tanto acendem e tanto apagam. É preciso compreender por que motivo jogadores fundamentais como Álvaro Pereira, Fernando, Moutinho, Hulk e James deixaram de mostrar constância competitiva. Desde quando é que jogar no FC Porto pode ser entendido como um frete?
Pinto da Costa acreditou na sua omnipotência e, por isso, não substituiu Villas-Boas. Por isso, vai apostar na “solução Pereira” até ao limite. A sobrevivência está garantida até 6 de dezembro. E talvez seja importante, desta vez, entrar em campo depois do... Benfica-Sporting.
Esta é a crónica, afinal, que alerta para a responsabilidade dos jogadores. A solução está neles porque não se pode brincar aos (não) milhões...