Árbitros contam com o Sporting?

Árbitros contam com o Sporting?

No século XXI, no qual em todo o lado e em todos os sectores se discute a regulação, uma vez que fomos impelidos a perceber o que causou a falta dela nas últimas décadas – crise, usura, enriquecimento ilícito, pobreza e desgraça –, o futebol continua agarrado aos seus dogmas e a sustentar um sistema de arbitragem que é uma farsa, gerador de desequilíbrios, injustiças, abusos, tráficos e “tutti quanti” de um falso modelo de regulação, cuja indústria se alimenta desse desconchavo, com a cumplicidade de todos nós. Por isso, no caso português, e considerando a superlativa questão de um Sporting líder (em contraciclo) e incapaz de se alojar, nas últimas longas épocas, nos órgãos decisórios ou ter alguma influência sobre eles, a pergunta que se coloca é muito simplesmente esta: como vai comportar-se a arbitragem perante o facto de ter de administrar as vontades, os caprichos e as reivindicações legítimas, não de duas mas outra vez de três clientelas diferentes? Não vale a pena estarmos com sofismas: a indústria do futebol, que não vê razões para não se continuar a aproveitar do fascínio que a modalidade provoca nas pessoas, não se vê compelida a ter de encontrar outros caminhos para acreditar o jogo e as suas regras aos olhos dos consumidores.

É bom que se interiorize a ideia de que o futebol não perde fascínio e as suas características originais com mais verdade. E, para isso, em primeiro lugar, é preciso adaptar as Leis do Jogo – leis do século XIX – ao mundo actual. O jogo está muito mais rápido, todos os sectores estão profissionalizados, há muito dinheiro envolvido e o futebol tornou-se num desporto televisivo, cujas receitas são cruciais para a sua sustentação. Há formas eficazes de diminuir o erro das equipas de arbitragem e se tarda a implementar-se essa mudança imperativa, que corresponde a um mero acto de inteligência e racionalidade, é porque há muita gente a governar-se com o dinheiro do futebol e os seus movimentos paralelos. Ninguém quer perder os “direitos (?) adquiridos”.

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O futebol em Portugal é uma extensão daquilo que a FIFA, a UEFA e a International Board impõem. São os cordeiros do deus-futebol. Não têm vontade própria. As federações têm uma autonomia muito reduzida em relação às respectivas confederações. O sistema de nomeação da FPF, no sector da arbitragem, é – com algumas diferenças de pormenor – um decalque do sistema de nomeação da UEFA. É bom perceber que o efeito paralisador de uma dúzia de pessoas que vão gerindo outras subcategorias, onde estão alojadas dirigentes de clubes, federações e ligas, com raríssimas excepções, tomou conta das actuais dinâmicas do futebol à escala mundial.

Vejo os dirigentes do futebol português a fazer muito barulho com as arbitragens – sempre que se sentem beneficiados e nunca prejudicados –, mas não vejo nenhum a reivindicar uma mudança, denunciando a mentira em que assenta o actual modelo. Em Portugal, não há diferença entre internacionais e não internacionais. Ninguém percebe as nomeações. Ninguém percebe as classificações. Tudo é escondido. E, como as rivalidades e as tricas pessoais, impedem os dirigentes mais carismáticos de se sentarem à mesa, tudo vai ficando na mesma, com cada qual a tentar reivindicar o seu quinhão. É cansativo e tudo falso e postiço.

Tenho dito que as actuais Leis do Jogo, pelo seu carácter de subjectividade, atirando muitas das decisões para o critério pessoal do árbitro (uma aberração completa!), fomentam o tráfico de influências e impõem o regime do medo. Veja-se o que aconteceu na última jornada e concretamente no Sporting-Belenenses: a equipa de arbitragem inventou um penálti (que deu golo) e não quis assinalar um outro, claríssimo, que ocorreu mesmo à sua frente. Isto prova que, mais do que a vontade de beneficiar ou prejudicar este ou aquele clube, os árbitros não têm reunidas as condições (até de segurança) para produzirem boas decisões. Isto é uma evidência, mas ninguém o assume.

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É neste aspecto que tenho alguma esperança que Bruno de Carvalho vá mais longe, para além da espuma habitual. O Sporting tornou-se no elo mais fraco, num clima em que Benfica e FC Porto foram ganhando o maior respeito no momento das nomeações. Quem nomeia, sabe quem são os árbitros de personalidade mais fraca ou mais forte. Sabe que os árbitros compensam imenso. O mesmo árbitro, mesmo dirigindo jogos com meses de intervalo, não vai prejudicar duas vezes seguidas um emblema grande. É o que temos visto, ao longo de 38 anos a ver e escrever sobre o desporto-rei. É preciso exigir explicações sobre critérios de nomeação. E é preciso instituir um critério de classificações, que seja claro e consultável, semana a semana.

As arbitragens continuam a ter um peso importante na conquista do título, porque os clubes parecem gostar destas (contra)danças. É tudo um engano.

Boas Festas!

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JARDIM DAS ESTRELAS - ****

O castigo na Benfica TV

O gesto de Enzo Pérez a sugerir “roubo” do árbitro Rui Costa no Benfica-Arouca foi punido, e bem, com um jogo de suspensão, depois do processo sumário instaurado pela CII da Liga, através de um auto de flagrante assente nas imagens do jogo transmitidas pela Benfica TV. Não há notícia de represálias sobre o realizador que colocou a imagem no ar. Os mais fundamentalistas dirão que a Benfica TV não deveria ter promovido uma ingenuidade desta dimensão; eu diria que, para criticar as opções do operador televisivo que deteve o monopólio anos a fio, fazendo das imagens, nos critérios e comercialmente, aquilo que lhe dava na real gana, foi um exemplo. Voluntário ou não, mas acabou por ser...

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O CACTO

Profissionais?

Na quinta-feira, o Marítimo jogou com o Sp. Braga. Ontem, sexta, FC Porto-Olhanense e V. Setúbal-Benfica. Estas antecipações normalmente têm a ver com a participação das equipas portuguesas em provas europeias. Desta vez... nada; é a semana natalícia. No domingo, apenas dois jogos. Este é mais um sinal da fraca cultura de exigência que existe no futebol português. Profissionais muito bem pagos, e os grandes são os primeiros a dispensar os jogadores – um caso único na Europa. É uma visão errada do profissionalismo e a Liga, impotente, é apanhada pela enxurrada. Muito mau!

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