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Arrogância inglesa

Arrogância inglesa

Quem segue as peripécias do futebol português já está acostumado. Sempre que qualquer seleção ou clube nacional joga com um adversário inglês, lá vem ao de cima o complexo de superioridade dos britânicos. A história tem contrariado essa teoria, mostrando que as camisolas não ganham jogos. O revigorado Sporting de Sá Pinto deu o exemplo e o Benfica pode seguir o seu caminho.

Ainda hoje muitos ingleses se perguntam como foi possível terem sido eliminados por Portugal no Euro’2004 e no Mundial’2006. Não interessa que a nossa Seleção tenha sido melhor nos dois jogos, o espanto e, sobretudo, a sobranceria dos britânicos mantiveram-se intactos. É uma forma de estar que se arrasta para as competições entre clubes, mas, tal como Jorge Jesus preconiza, os portugueses até nem se dão muito mal frente a equipas de terras de sua majestade.

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Quando venceu a Liga dos Campeões, o FC Porto eliminou o Man. United e ganhou depois algumas fases de grupos à frente de ingleses. No ano em que chegou à final da Taça UEFA, cruelmente perdida no seu estádio, o Sporting de Peseiro também superou Newcastle e Middlesbrough. Já o Benfica é especialista em abater, nos últimos anos, equipas inglesas como Man. United, Everton e Liverpool. E esta última equipa, a par do Portsmouth, também caiu aos pés do Braga na Liga Europa.

Perante esta pequena amostra, seria de esperar uma atitude mais prudente por parte dos ingleses. Mas provavelmente o provérbio “gato escaldado, de água fria tem medo” não será do conhecimento deles. Mais do que isso, as equipas inglesas não estudam bem o real valor dos seus adversários na Europa. Só assim se explica que, muitas vezes, em Portugal e noutros países optem por poupar algumas unidades importantes, pensando que vencem na mesma. Mas subestimar o adversário sai caro.

Oembate entre portugueses e ingleses pode parecer uma luta entre David e Golias, mas apenas em termos financeiros. Dentro das quatro linhas essas diferenças desaparecem. A eliminatória entre FC Porto e Manchester City já o havia provado, ao contrário do que indicou o resultado final, completamente desproporcionado para o equilíbrio verificado.

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Seguiu-se o Sporting. Os responsáveis do City, depois da enganadora goleada imposta aos dragões, pensavam que iam jogar com um adversário mais frágil. Houve mesmo jogadores a afirmar que não conheciam os do Sporting. Como é isto possível numa equipa de alta competição?

Sá Pinto soube aproveitar o efeito surpresa. Com garra, humildade e capacidade de sofrimento, motivou os jogadores, explorou as fragilidades do adversário e jogou igual para igual. E venceu, com mérito. Mancini reconheceu que a sua equipa subestimou o Sporting. Agora, Matías, Izmailov e Patrício, pelo menos estes, já devem ser conhecidos no balneário do City.

Uma nova batalha luso-inglesa está agora agendada para a Liga dos Campeões. Jorge Jesus vai receber o opositor que desejou desde o início: o Chelsea. Se as notícias estiverem corretas, os jogadores do clube inglês parecem ter gostado do sorteio e até “gozaram” com o valor do Benfica. Isto foi música para os ouvidos de Jesus: motivação extra para atletas e adeptos, que vão transformar a Luz num inferno. O Benfica pode vencer. E se for subestimado, mais favorito será.

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