Domingos Paciência foi convencido a entrar no mundo complexo do futebol do Sporting, antes de André Villas-Boas ter deixado o FC Porto para rumar ao Chelsea. Foi convencido por Luís Duque e Carlos Freitas a fazê-lo, de uma forma definitiva, depois de se comprometer com o presidente Godinho Lopes. Poderia ter sido mais calculista e até mais ambicioso e capitalizar a extraordinária campanha europeia realizada pelo Sp. Braga, após ter sido prematuramente “chicoteado” por António Salvador. Poderia, inclusive, esperar pelo desfecho do “ataque” do Chelsea ao FC Porto (por AVB) que a certa altura começou a desenhar-se. Com maior ou menor pressão, honrou os seus compromissos (escritos e/ou verbais) mostrando que é um homem digno, com estatura moral, algo que vai rareando no futebol e, em traços gerais, nas nossas vidas.
Domingos entrou em Alvalade a contar com uma espécie de “tática do quadrado”, cujas extremidades angulares eram constituídas, num dos lados, por ele próprio, o presidente Godinho Lopes, o administrador Luís Duque e o operacional (do mercado) Carlos Freitas. Este “quadrado leonino” implicaria que os seus quatro lados fizessem espelho uns dos outros, numa “simetria” que não permitiria qualquer tipo de intrusão. Um “quadrado” devidamente blindado, à prova do maior problema que o futebol do Sporting tem vivido há longas épocas e para o qual não consegue arranjar, internamente, o respetivo antídoto: o efeito de contaminação das opiniões e das posições de outras figuras do “universo leonino” que se apropriam do “quartel-general” do futebol sportinguista, fustigando-o com pareceres, teorias, ideias, teoremas ou meros “bitaites da caserna”, reduzindo o espaço, a serenidade e a estabilidade daqueles que, em qualquer organização similar, precisam de condições mínimas de respaldo para exercerem, junto dos jogadores, as suas funções e competências.
Oterreno do futebol do Sporting está tão minado, agora, como estava anteriormente. É isso que Godinho Lopes parece não ter força para resolver. Porque estabeleceu, na campanha eleitoral, todo o tipo de compromissos, a montante e a jusante de uma ideia sólida de recuperação do clube de Alvalade, a partir do “motor-futebol”.
Se a estrutura em redor de Domingos não estivesse tão pouco cimentada, provavelmente o treinador do Sporting não pareceria tão impotente em relação ao momento por que estão a passar os leões. Nestas condições, quando a palha abunda no celeiro, basta um fósforo aceso para instalar a insegurança, a desconfiança e um certo pânico.
O Sporting até não necessitaria de um treinador-líder, capaz de agarrar a “estrutura” pelos colarinhos, se esta estivesse em condições de o proteger, um pouco à imagem daquilo que acontece no FC Porto, não apenas com Vítor Pereira, mas com a generalidade dos treinadores. Lá está: no Dragão, o “ruído” à volta da equipa técnica e do balneário é praticamente nulo. E quem fala é o presidente. Não é o presidente da assembleia geral. Não é nenhum dos vice-presidentes e, quando é, vão mandados...
Custa assim tanto a perceber? É preciso fazer um desenho?!...