Bem-vindo a casa

Bem-vindo a casa

Entrámos em janeiro e o mercado de inverno abriu. Mas se já houve uma transferência completamente diferente de todas as outras neste período, sem dúvida alguma que foi o regresso do Fernando Torres ao Atlético de Madrid. El Niño volta a casa depois de sete anos e meio e não posso deixar de recordar como tudo começou.

De 23 de abril a 6 de maio de 2001, Inglaterra foi a anfitriã do Campeonato de Europa sub-16. Naquela época eu era diretor desportivo do Atlético de Madrid e observei todos os jogos da seleção espanhola. Especialmente por causa de um jovem chamado Fernando Torres. Antes da competição só o tinha visto jogar uma única vez com os juvenis das camadas jovens da equipa colchonera. E adorei. Depois do torneio internacional, não tive dúvida que o Niño (menino em português) estava pronto para a guerra do mundo profissional.

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Cheguei de Inglaterra e tive a minha primeira reunião com ele no meu escritório. “Sabes porque estás aqui?””Não”, respondeu timidamente sem levantar os olhos do chão. “Quero saber se estás pronto.” Olhou para os meus olhos e ficou completamente vermelho. Continuei: “Eu não tenho a mínima dúvida de que estás pronto para a primeira equipa, e tu?”. A cara dele ficou ainda mais vermelha. Finalmente respondeu: “Sim, estou pronto.” “Mas preparado só para treinar, ou acreditas que já podes começar a jogar?” Depois de outra longa pausa, ele respondeu da maneira que respondem os campeões: “Para treinar e jogar já, quero triunfar no Atlético de Madrid. É o meu sonho e não te vou dececionar.” “Eu sei que não me vais dececionar, Niño. Na próxima semana vais começar a treinar com a primeira equipa.” Na despedida, já de pé, disse-lhe: “Olha-me nos olhos. Vais ser o melhor!”

No dia seguinte reuni-me com o treinador cantarero. “Mister, o Fernando Torres começa a treinar todos os dias com o plantel da primeira equipa na próxima semana.” Naturalmente, ele ficou surpreendido: “Não achas que ele ainda esta verde?” “Míster, eu com 17 anos, já era internacional absoluto e jogava na primeira divisão portuguesa. Se o treinador que apostou em mim tivesse pensado igual, eu nunca teria ganho a Bola de Prata [segundo melhor jogador europeu, logo atrás de Gullit], aos 21 anos. Não tenho nenhuma dúvida de que o Fernando não só está preparado para treinar, mas também para jogar. Só precisa de uma oportunidade.”

O Atlético de Madrid estava no inferno da segunda divisão e o Niño fez o seu primeiro jogo como profissional contra o Leganés no dia 27 de maio. E no jogo seguinte, um golo dele deu a vitória à equipa, em casa do Albacete. Abraçou-me com força no balneário. Estava radiante de felicidade. Mas eu acalmei-o: “Sabes uma coisa, Niño? Isto acaba de começar. Agora tens que te manter, que é a coisa mais difícil neste mundo. Hoje a tua vida mudou para sempre.” Obviamente dentro de mim sentia a mesma alegria que ele (ou mais!), mas sabia que desde aquele momento tinha que o proteger até que começasse a voar por si próprio.

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Catorze anos depois daquela oportunidade, o Niño voltou para casa depois de ter ganho tudo o que um jogador de futebol sonha ganhar: Campeonato do Mundo e da Europa, Champions League, Liga Europa... Tinhas razão Niño, não me dececionaste. Bem-vindo a casa, campeão!

GRANDE CALDEIRADA

Zubizarreta de saída

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O mítico guarda-redes do Barcelona e da seleção espanhola parece que tem os dias contados como diretor desportivo da equipa catalã. O presidente do Barcelona já está a procura de substituto e fala-se de Puyol. As contratações de Douglas, que não tem nível para jogar no Barcelona, e a de Vermaelen, que assinou lesionado e que vai perder todo o ano, acabaram com a paciência do presidente Bartomeu e de todos os culés.

NÓS LÁ FORA

Daniel Carriço

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O Carriço acaba de renovar com o Sevilha até 2018. Uma renovação mais do que justa. Ele fez um ano espetacular. Seja a defesa-central ou a trinco, tem realizado jogos incríveis. O Daniel é um jogador imprescindível para o seu treinador Unai Emery. Cada jogo do Sevilha é o Carriço e mais dez. Um autêntico líder. Parabéns, Daniel!

DO MEU ÁLBUM

Mercado de inverno

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O mercado de inverno começou com os meses de dezembro e janeiro a permitirem novas inscrições. Sou o único jogador da história a atuar em quatro equipas de países diferentes no mesmo ano. Foi em 1993. Em janeiro com a camisola do Atlético de Madrid, de fevereiro a junho com a do Benfica, com a do Marselha até novembro, e dezembro com a Regianna. Duas transferências no mercado de inverno no mesmo ano... uma autêntica loucura!

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