Cardozo é solução ou... problema?

Cardozo é solução ou... problema?

A lesão contraída por Cardozo em Atenas suscitou a dúvida sobre a sua utilização no jogo desta noite, frente ao Sporting. Leonardo Jardim está a contar com o paraguaio nas contas da abordagem ao dérbi, desconfiando do “nim” de Jorge Jesus. Afinal, que reflexo pode ter a presença ou a ausência do ponta-de-lança dos encarnados no jogo desta noite? De uma forma mais genérica: afinal, qual é o verdadeiro “peso”, em matéria de influência, de Oscar Cardozo no Benfica? O melhor futebol praticado pelo Benfica, esta época, mesmo sem resultados práticos, aconteceu em Atenas. Tivemos, finalmente, um Benfica dominador, mandão, pressionante, capaz de produzir um número suficiente de oportunidades para ganhar três ou quatro jogos. Contudo, no melhor pano cai a nódoa: o Benfica volta a sofrer um golo inimaginável, por total falta de concentração de quem defende. O estatuto de “grande equipa” – ainda mais a nível europeu – só assenta, realisticamente, a quem joga bem e materializa essa superioridade. Mas o mais curioso é que a melhor exibição do Benfica aconteceu... “sem” Cardozo. Isto é: as grandes figuras da partida na Grécia, nos seus momentos mais decisivos, foram Roberto (a defender), Markovic e Djuricic (a não concretizar).

Conclusão: o melhor futebol praticado pelos encarnados esta época (em Atenas) conheceu Cardozo dentro do campo durante os primeiros 70 minutos, mas a verdade é que a sua prevalência no jogo – exceptuando o lance já assinalado, aos 6 minutos – foi pouco mais do que nula. Serve isto para dizer o seguinte: a importância (individual) de Cardozo no Benfica fez-se sentir quando o colectivo ficou aquém do que pode e sabe realizar. Na verdade, a acção do paraguaio, a nível interno, resultou decisiva nos jogos em Guimarães e no Estoril e também no encontro, em casa, com o Belenenses. Os três golos que marcou nesses encontros (um em cada) valeram (7) pontos. Isso não pode ser desprezado, até porque ter um jogador que resolve os problemas não solucionados pela equipa no seu todo só está ao alcance de alguns. Ou através da espontaneidade no momento do remate, ou no jogo aéreo, ou numa bola parada, Cardozo tem feito sentir a sua inquestionável influência. Acontece, porém, que o Benfica já poderia ter reduzido, fortemente, a influência individual de Cardozo sem que para isso concorresse para o prejuízo da equipa.

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Foi com Jesus, a partir de 2009/10, que Cardozo atingiu a sua produtividade máxima no Benfica. Mais: com JJ, o pior registo de Cardozo foi sempre superior ao período “a. J.” (antes de Jesus). Também por isso – porque Jesus deu sempre tudo a Cardozo – a atitude do paraguaio no Jamor foi de uma tremenda injustiça e ingratidão. Não deixa de ser, também, objecto de reflexão o facto de aquela “folha de serviços” nunca ter suscitado, no mercado, grande atractividade. Defeito do empresário? Culpa da fraca qualidade da liga portuguesa? Inflexibilidade do Benfica? Ou a projecção da ideia de que, noutros ritmos, Cardozo terá maiores dificuldades? A verdade é que, também na Selecção do seu país, o rendimento do paraguaio é muito criticado...

Não há jogadores insubstituíveis e é neste ponto que defendo a ideia de que a SAD do Benfica falhou. Tinha de agir rapidamente quando aconteceu o incidente no Jamor. Ou vendendo o jogador ou criando-lhe uma alternativa credível. Funes Mori chegou fora de tempo e não era a aposta correcta. Tinha de ser um nome forte para se combater as ondas de choque, que gerasse o entusiasmo suficiente para amenizar o efeito-Cardozo. Os golos que tem marcado esta época – 6 em 11 jogos – não dão razão a Cardozo. A razão, essa, nunca lhe será devolvida. Mesmo que volte a ser o melhor marcador do Benfica. E talvez seja justo perguntar por que razão Lima ainda não apareceu (depois de ter sido o máximo goleador na época passada)...

Em síntese: ao contrário do que se quer, agora, fazer crer não é líquido que, sem Cardozo, a equipa fosse menos eficaz do que é. Estaríamos a falar de uma outra realidade (não testada... com uma alternativa credível). Assim, estamos a falar de um problema aparentemente transformado em solução. O Benfica não pode ser refém de ninguém e muito menos do seu ponta-de-lança.

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NOTA – Duarte Gomes no Benfica-Sporting e Jorge Sousa no V. Guimarães-FC Porto. Nomeações para contentar os mais fortes. Nada que espante neste CA de Vítor Pereira.

NOTA 1 – Convocatória de Paulo Bento: finalmente William Carvalho. Com João Pereira e Coentrão chamados, fica mais clara o veto sobre Danny. Não entendo a fixação em Ruben Micael, quando ficam de fora Adrien (que injustiça!), Rúben Amorim e até André Martins. E... Nélson Oliveira?!

NOTA 2 – A FPF de Fernando Gomes continua a patrocinar a fraude fiscal perante os portugueses. Quem lhe dá esse poder?

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JARDIM DAS ESTRELAS

Feitiços no Jardim

Um treinador pode ser encarado como um feiticeiro. Alguém que tem o poder de exercer os seus feitiços para relativizar orçamentos, potenciando qualidades inatas e trabalhando essas faculdades. O feitiço de Jardim já dura há cerca de três meses. Sem charlatanices e com os pés bem assentes no chão. Tem feito quase tudo bem. A caracterização do plantel e a identificação das virtudes e defeitos. As escolhas. A insistência em não dar por perdidas algumas das opções, ao mínimo sinal de menor rendimento. Bem na aferição da margem mínima de tolerância (ex: Carrillo). Com um discurso sério, não folclórico nem demagogo. Dizendo a verdade, que não é uma coisa simples em futebol. Nomeadamente no que diz respeito às arbitragens. E, em relação ao comportamento desportivo/social dos jogadores, não hesitou em tornar pública a “despromoção” de Semedo. O exemplo é importante. As instituições e os seus representantes ganham muito perante a opinião pública quando são capazes de fazer pedagogia.

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O CACTO

SOS, Portugal

Futebol português em momento difícil, ao nível das equipas e Selecção. Os confrontos europeus acentuam a ideia da necessidade de se investir mais na qualidade do nosso campeonato. Não são apenas os orçamentos que ditam a diferença de andamento. A exigência é pequena e há sempre desculpa para tudo.

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