Debaixo do colchão

Debaixo do colchão

Agora que o Sporting vive um momento pré-eleitoral e começam a perfilar-se as mais diversas candidaturas, há uma pergunta que gostaria de ver respondida: se a maior parte das figuras que ora espreitam uma oportunidade já se achavam como figuras relevantes do “universo leonino”, algumas das quais com lugares nos respetivos órgãos sociais, no passado mais recente ou num passado mais longínquo; se têm neste momento soluções para tudo – fundos, investidores, relações privilegiadas com a Banca, milhões, jogadores, treinadores, diretores-desportivos, et cetera e tal... – qual foi a razão por que não disponibilizaram essas (de)cantadas “soluções mágicas” e não as tiraram debaixo do colchão, antes de o Sporting cair na situação-limite em que se encontra? Terá sido “excesso de sportinguismo” ou “défice de sportinguismo”? Ou terá sido outro tipo de “ismo”?

De militância, ou da falta dela, aqui agora se tem falado e nos diversos fóruns da vida leonina. Algumas personalidades já estão a exigir, ainda a campanha não começou, que haja perda de memória. Ou que ela seja seletiva, relevando as traições, as ausências, as omissões ou a oportunidade de mais fácil enriquecimento. As figuras conhecidas têm, para os sócios, essa vantagem: sabem com o que podem contar. É fácil discernir e identificar anos a fio de retórica e de posicionamentos de acordo com as conveniências.

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Estão a desenhar-se claramente três correntes: 1) A do situacionismo dissimulado, encabeçada por Godinho Lopes, com apoios entre as mais diversas fações de “notáveis” sportinguistas, e com o beneplácito dos parceiros bancários que têm sido de algum modo “a vida e a morte” do Sporting;

2) A do populismo libertário, liderada por Dias Ferreira, que vai apoiar-se nos “rostos da bola” para tentar provocar um efeito de frenética catálise entre os que protagonizaram “a velha brigada da gestão e do betão” e estão identificados como parte do problema e não como parte da solução;

3) A do empreendedorismo yup, liderada por Bruno Carvalho, que terá como objetivo “marcar terreno” no Sporting, semeando agora para tentar colher no futuro.

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Bruno Carvalho tem um programa, honra lhe seja feita, embora mais ou menos clandestino. Dias Ferreira já disse que é candidato. Godinho Lopes tem mandado anunciar. Ainda não têm programas. Dias Ferreira, claramente o mais próximo da relva, sabe como é importante jogar com os nomes. Lançou Paulo Futre, que abriu o flanco no FC Porto e Benfica, e anunciou Luís Figo, que em matéria de apoios se evidenciou com a colagem a Sócrates. Godinho Lopes responde com Luís Duque e Carlos Freitas. Mais nomes vão surgir.

Parece claro que há espaço para uma “nova via”, agora que Godinho Lopes se vê ameaçado por Dias Ferreira. Parecem todos de acordo que é necessário trilhar o caminho da rutura em Alvalade. Mas ninguém parece saber o que isso é. Talvez um dicionário ajude a evitar a proliferação do embuste... estatutário.

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