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“Morre Griezmann!”. Estas foram algumas das palavras dos adeptos da Real Sociedad ao seu ex-jogador, quando este se apresentou com a camisola do meu Atlético Madrid no Estádio Anoeta, na semana passada. O francês representou os bascos durante dez anos. Chegou a San Sebastian com 13. Era um menino. Durante todos estes meses, Griezmann não deixou de agradecer tudo o que a Real fez por ele e a importância que o clube teve na sua vida. Chegou ao clube adolescente e saiu um homem feito. Mas todos os elogios que o Antoine fez à sua ex-equipa não foram suficientes nem evitaram aqueles horríveis insultos. Percebo que exista sempre frustração dos adeptos quando um ídolo se vai embora do clube, entendo a raiva que possam sentir por este se ter mudado para uma equipa do mesmo campeonato, mas não entendo a agressividade das palavras dedicadas ao francês. Um exagero.
Estamos a falar de uma transferência para um clube maior, que foi finalista da edição passada da Liga dos Campeões e que venceu a Liga espanhola. Custa-me aceitar este tipo de insultos, quando, no fundo, ele apenas deu um passo em frente na carreira, passando, logicamente, a melhorar o seu situação financeira. Todos aqueles que desejavam a morte do Griezmann teriam feito o mesmo que ele. Percebo muito bem a reação dos adeptos nos casos do meu amigo Luís Figo, quando trocou o Barcelona pelo Real Madrid, ou até mesmo quando eu me mudei do Sporting para o Porto, visto tratar-se de um clube igualmente grande e, acima de tudo, um rival. Mas de um clube que foi 7.° classificado na última época para o campeão? Que recebeu do Atlético Madrid perto de 30 milhões de euros? Não faz sentido tanta dureza e muito menos desejar a morte a uma pessoa.
Outro caso em Espanha que não entendo é a relação de dois compatriotas. Do Nuno Espírito Santo e do João Pereira. O lateral praticamente não foi utilizado desde que Nuno assinou pelo Valencia. A cada jogo dos chés os jornalistas aquecem a polémica e escrevem “uma vez mais João Pereira está fora dos convocados”. Apesar de os resultados serem fantásticos, este tema está a constituir o único problema para o técnico português nestes primeiros meses no comando da equipa. A Curva Nord (mítica claque do Valencia) não esquece o João. Ele é visto como um autêntico ídolo para a “afición ché” e, já pela segunda vez em jogos em casa, foram exibidas tarjas a apoiar o jogador. A última, de vários metros, dizia “O que se passa com o João?”. Esta demonstração de carinho e apoio da massa associativa valenciana à situação difícil que vive o João Pereira começa a ser um problema para o Nuno. Apesar do excelente trabalho que está a realizar, basta um ou dois resultados negativos para começar a ser fortemente criticado por não colocar o João Pereira a jogar.
Não consigo entender como dois portugueses não ultrapassam esta situação, até porque penso tratar-se de uma questão pessoal. O João não deixou de ser o jogador que era em três meses. O Nuno está a ser superinteligente, não só dentro do balneário mas também como relações públicas, conseguindo ter nas mãos uma das “aficiones” mais exigentes do futebol espanhol. Sabe que tem de ceder e utilizar o João, nem que seja alguns minutos, porque pode perder esta guerra.
Mudando de tema. O ex-presidente do Barcelona, Joan Laporta, venceu recentemente um processo em que o clube o acusava de roubo e fala-se agora que quer candidatar-se novamente ao cargo de presidente. Na última quarta-feira, jantou com o Jorge Mendes em Madrid e os media espanhóis falaram na possibilidade de José Mourinho e Cristiano Ronaldo serem dois trunfos da sua candidatura. Seria de facto uma jogada de mestre, mas, na minha opinião, impossível de concretizar. Sem dúvida alguma que existirão outros trunfos de segunda linha capazes de fazer estrondo na Catalunha e levar Laporta novamente à presidência do Barcelona, como Falcão e Di María. Ambos não parecem cem por cento felizes no Manchester United e são agenciados pelo melhor empresário de futebol do Mundo. Se o Laporta se apresentar às eleições com estes dois craques, os outros candidatos estão automaticamente derrotados. Laporta será presidente do Barcelona pela segunda vez e para isto depende de um português: nada mais, nada menos do que o Jorginho.
Cantona
“O Qatar pagou para ter o Mundial 2022”. Estas foram as declarações do grande Eric Cantona e, apesar de duras, não surpreendem. Qualquer amante do futebol sabe que não houve jogo limpo. E ainda mais surpreendente foi o que soubemos na última quinta-feira. A FIFA arquivou a investigação aos processos de atribuição da organização dos Mundiais de 2018 (Rússia) e 2022 (Qatar), justificando esta opção por não terem sido encontradas provas de irregularidades. Esta FIFA, comandada pelo senhor Blatter, mais corrupta parece a cada dia que passa. Uma vergonha!
O exemplo José Fonte
O português José Fonte foi novamente convocado para a Seleção A. É incrível como um jogador que em tempos foi emprestado pelo Benfica ao Crystal Palace, na altura para jogar no 2.º escalão inglês, é agora capitão de uma equipa que está em segundo lugar na Premier League. O central é um exemplo de como existem talentos em Portugal mal aproveitados. Foi preciso sair do nosso país para agora ser valorizado. Está novamente a realizar uma época fantástica. É o líder da equipa sensação da Premier League e é um jogador que certamente irá abrir portas a jovens portugueses que nem sempre são bem aproveitados cá em Portugal. Fantástico, craque! Muitos parabéns pelo que tens conseguido!
Com a camisola do rival
Quando assistia pela televisão ao jogo entre a Real Sociedad e Atlético Madrid na semana passada e enquanto ouvia os insultos da massa associativa basca ao seu ex-jogador Griezmann, a minha cabeça recuou 30 anos. Recordei o meu primeiro clássico no mítico Estádio José de Alvalade com a camisola do FC Porto. Foi um dia muito difícil para mim e os piores 90 minutos que vivi dentro de um estádio de futebol. Tinha 18 anos, e não há nenhum jovem com esta idade que estivesse preparado para que todo um estádio o insulte e assobie como aconteceu comigo naquele dia. Recordo-me que ouvi todos os insultos do Mundo, mas nunca ouvi desejarem-me a morte como ouviu o Griezmann a semana passada.