Num ritmo lento e sem grandes ocasiões de golo, a Seleção Nacional obteve um resultado dececionante frente à Macedónia, uma equipa sem grandes pergaminhos no mundo do futebol. Mas é importante que não se faça disto um drama. Nesta fase, mais do que interessado em ganhar um jogo de preparação para o Euro’2012, Paulo Bento estará focado em transmitir as suas ideias aos jogadores e garantir um rápido entrosamento destes dentro de campo para que estejam à altura quando as coisas forem a doer. Porém, será preciso fazer mais.
Oselecionador nacional aproveitou para testar alguns jogadores que, em princípio, não serão escolhas para o onze titular, de modo a saber quem lhe poderá dar mais garantias em caso de necessidade. Além disso, este teste serviu também para ver como se comportam alguns atletas em posições que não são as suas de origem, mas onde podem vir a ser muito úteis. Foi o caso de Nani, por exemplo, que jogou 20 minutos no centro do terreno, posição que já não conhecia desde os tempos do Sporting de... Paulo Bento. É uma experiência a repetir.
Aequipa portuguesa, ao contrário de outras alturas, em que privilegiava a posse de bola e passes em triangulações para criar desequilíbrios, sente-se agora mais confortável a jogar em contra-ataque. Acabam por ser as atuais características dos nossos jogadores que obrigam a isso, sobretudo pela relativa falta de criatividade existente no meio-campo (não temos um Rui Costa, nem um Deco), o que leva a uma maior aposta nas transições rápidas e na capacidade criativa e finalizadora dos nossos extremos. A ideia não é de todo descabida se tivermos em conta que, no Euro’2012, vamos enfrentar equipas dominadoras como a Alemanha e a Holanda.
Formatados agora para esta maneira de jogar, nota-se, no entanto, que os jogadores portugueses sentem dificuldades quando são obrigados a assumir as despesas do jogo por inteiro, sobretudo contra equipas como a Macedónia que se limitam a encostar o autocarro em frente da baliza, acabando por falhar no capítulo ofensivo. No passado sábado, se o ritmo lento do jogo foi algo normal numa partida amigável, já a quase inexistência de lances e remates perigosos na área adversária por parte da nossa Seleção são algo a rever.
Há ainda que criar condições, e tenho a certeza que isso está a ser pormenorizadamente planeado, para que Ronaldo possa chegar à Ucrânia nos melhores índices físicos possíveis, depois da memorável, mas desgastante, época que realizou em Madrid. Com 27 anos, CR7 atingiu provavelmente o auge da carreira este ano e o Euro’2012 será, esperamos nós, a competição em que se verá o melhor Ronaldo de sempre. Contra a Macedónia, apesar da exibição menos conseguida, o madeirense foi dos que mais lutou contra a letargia geral da equipa.
Tal como muita gente já referiu, as principais dúvidas de Paulo Bento deverão estar nas posições de trinco e ponta-de-lança. Tendo em conta a aposta nas transições ofensivas, e consequente necessidade de garantir maior segurança no bloco defensivo, não me admiraria se a escolha para a posição 6 pudesse recair em Custódio ou até na eventual adaptação de Pepe (menos provável). Quanto ao avançado titular, a incógnita é ainda maior. Postiga e Hugo Almeida pouco mostraram contra os macedónios, sendo que Nélson Oliveira fez um remate em poucos minutos. Gostava de ver este jovem jogar mais tempo contra a Turquia.