Portugal inicia hoje a participação naquilo que eu prevejo ser um grande Mundial e com uma geração de jogadores que nunca nos deixou mal. Temos sido obrigados a disputar o playoff nas qualificações, mas a verdade é que estes jogadores nunca falharam nos momentos decisivos. Acrescento que o ponto de referência desta participação tem de ser o último Europeu, em que chegámos às meias-finais com a Espanha e fomos superiores no tempo regulamentar. No prolongamento não foi tanto assim e, nas grandes penalidades, foi uma lotaria em que tudo podia ter acontecido. Se chegámos à meia-final em 2012, por que não podemos atingir a final neste Mundial? Essa é a questão que deve colocar-se, visto que temos jogadores que atuam em grandes equipas da Europa, estão habituados a grandes palcos e a jogar sob grande pressão.
Noutro plano, considero ser muito importante ter Cristiano Ronaldo a 100 por cento. Dificilmente estará na sua plenitude frente à Alemanha, mas mesmo a 80 por cento pode decidir a qualquer momento. Aliás, o facto de ele estar dentro de campo é psicologicamente muito benéfico para todos os companheiros. Num plano mais abrangente e tendo também em conta o início da nossa participação frente à Alemanha, quero dizer que os germânicos estão, sem dúvida, entre os candidatos, mas a Espanha continua a ser, para mim, a grande favorita, apesar de ter perdido por 5-1 com a Holanda. É uma Seleção que pode reagir como aconteceu na África do Sul, em que perdeu o primeiro jogo com a Suíça e acabou por responder. Logo a seguir aparecem quatro ou cinco equipas, onde estamos nós, a Alemanha, a Argentina e o Brasil... Finalmente, referindo-me concretamente ao jogo de hoje, apetece-me citar Lineker, que dizia ser a Alemanha uma equipa que ganha sempre. Será uma partida difícil, mas Portugal pode vencer.