Contra todas as adversidades, a Seleção Nacional, mesmo a jogar num campo deplorável, mostrou forte personalidade na Bósnia. A equipa voltou a estar equilibrada, segura e foi capaz de encostar o adversário às cordas. Só faltou mesmo um golo a Portugal para que a noite tivesse sido perfeita. E numa Luz a encher pelas costuras, a Seleção tem todas as condições de carimbar o passaporte para o Euro’2012.
Ao contrário do que se viu na Dinamarca, em que tudo correu mal e a equipa nunca se encontrou, Portugal voltou a jogar com um coletivo organizado e coeso, capaz de manietar as principais peças do xadrez bósnio. A entrada de Miguel Veloso para o meio-campo configurou aposta acertada de Paulo Bento. A equipa conseguiu recuperar imensas bolas, sendo possível a João Moutinho (já havia referido que está num evidente crescendo de forma) e Raul Meireles (novamente a jogar na posição natural), lançarem rápidas transições e estarem mais próximos dos avançados.
Pepe personificou também uma atitude guerreira que parecia desvanecer-se da Seleção. O central esteve indomável e foi uma barreira intransponível para Dzeko, uma das figuras maiores da Liga inglesa. Habituado aos grandes palcos europeus, Pepe mostrou que um futebolista de top está preparado para jogar em qualquer terreno. Agora que Portugal está privado de Ricardo Carvalho, Pepe é imprescindível no onze português. É a principal referência no centro da defesa e deu para ver o jeito que nos teria dado, a par de Fábio Coentrão, se tivesse jogado na Dinamarca.
Capaz de resistir a todas as provocações, Cristiano Ronaldo também produziu, dentro do possível, uma boa exibição. Só não foi possível mais porque a horta, como tão bem descreveu, não permitiu. Além disso, pudemos ver a quantidade de vezes com que foi atingido por lasers na cara, como já acontecera no treino da Seleção, mas isso não o abalou e até esteve bem perto de marcar.
Numa partida em que Portugal jogou os 90 minutos sob protesto, mais grave me pareceu a questão dos lasers. Se uns cânticos a Messi acabam por ser um fait-divers sem importância, constituindo até uma motivação extra para Cristiano Ronaldo, os lasers não devem passar em claro à Federação Portuguesa de Futebol junto da UEFA. CR7 é um dos melhores jogadores do Mundo e merece, tal como todos os outros, que o deixem jogar na plenitude das capacidades, sem condicionamentos à sua visão. Quando o Sporting defrontou o Vaslui, na Roménia, aconteceu o mesmo. Esta prática começa a globalizar-se, Portugal incluído, e as autoridades do futebol deviam estar atentas à situação.
O jogo de hoje será uma final. Há que ter atenção às reais capacidades e possibilidades da Bósnia. Não se pode subestimar uma equipa que não perde há 7 jogos e que precisa apenas de um empate com golos para se qualificar. E convém não esquecer que estamos a falar de um conjunto que ainda no mês passado empatou a uma bola (e até esteve a ganhar) com a França, em Paris.
Contudo, se Portugal apresentar uma postura semelhante à de sexta-feira, desta feita num relvado a sério, tem todas as condições de sair vitorioso. A armada lusitana tem mais qualidade que a congénere bósnia. E seria uma pena que o Euro’2012 ficasse privado de uma das melhores equipas europeias.