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A“Marca” recuperou esta semana o tema do valor atribuído à “estrutura FC Porto” e projecta a ideia que está na base do sucesso dos dragões, na qual se encaixa aliás a contratação de Paulo Fonseca: os treinadores e os jogadores vão mudando, mas a estrutura fica. Com o “pormaior” de uma liderança forte, assente na “visão ampla” de Pinto da Costa – o maior explorador das fragilidades do país e das suas instituições –, o FC Porto encontra-se agora em velocidade de cruzeiro, do ponto de vista da construção do seu modelo organizativo, em contraponto com o Benfica, que se acha ainda na fase de discutir o treinador em vez de cuidar da estrutura.
É uma diferença essencial e explica a razão pela qual houve tanto ruído em redor de Jorge Jesus e uma quase indiferença em relação ao substituto de Vítor Pereira. Que poderia ter sido Leonardo, Marco, Malaquias, Jeremias ou José e acabou por ser Paulo. Poderia ter sido, na verdade, Malaquias ou Jeremias porque o FC Porto nunca se mostrou muito preocupado e muito menos obcecado com a opinião dos seus (candidatos a) treinadores, embora os valorize bastante, como é bom de ver em relação aos casos (relativamente) recentes de José Mourinho e André Villas-Boas.
Quer dizer: o FC Porto estima e cuida dos seus treinadores enquanto eles forem úteis à estrutura; quando deixam de o ser, ou quando se metem uns grãos na engrenagem, passam à frente, quase sempre de forma diplomática, ou com salamaleques na hora da despedida (ex: Jesualdo Ferreira) ou com operações de charme reinventadas (ex: Villas-Boas) ou com uma gota de vinagre em cima do mel, nos casos em que a coluna vertebral dos “expatriados” não faz uma curvatura tão pronunciada (ex: Vítor Pereira).
Pinto da Costa é generoso para os seus administradores e em troca apenas lhes exige fidelidade e lealdade. O guião está há muito pré-definido. Mesmo em falência técnica, a SAD do FC Porto continua a fazer negócios de muitos milhões (James e Moutinho por 70) e, por isso, na senda de uma dinâmica repetida, fica a parte visível de comprar barato e vender caro – o suficiente para a recolha de elogios cá no burgo e além-fronteiras, independentemente da mesuração dos custos, o que é válido também na avaliação da situação financeira de outros emblemas...
O FC Porto faz o contrário em relação aos outros clubes: investe no presidente, o presidente investe nos seus colaboradores e tudo o resto se enquadra numa estratégia presidencial e directiva.
No Benfica, o método tende a inverter-se e a colocar-se (com Luís Filipe Vieira) na senda do que acontece há muitos anos no FC Porto, mas a aposta continua mais centrada no treinador e menos na estrutura, que ainda oscila bastante, como se tem visto perante as migrações de Rui Costa e António Carraça, já para não falar do caso de autonomia extrapresidencial protagonizada por José Veiga. E é assim no Benfica porque, antes da chegada de Jesus, a estrutura não tinha evoluído o suficiente e porque, com Jesus, tem sido possível disfarçar, por exemplo, muitas imperfeições e omissões no momento (chave) da construção dos plantéis...
TEMPO EXTRA
Sem Carraça
No texto acima, escrevemos sobre as diferenças que se estabelecem entre FC Porto e Benfica, com reflexo nos resultados desportivos das últimas épocas... O Benfica recuperou algum terreno, ao ponto de ter feito uma importante aproximação ao FC Porto, mas ainda não chegou... O Benfica travou o processo de “sportinguização” que chegou a estar em marcha, com uma política errática de contratações e de entradas e saídas de treinadores, fruto de uma presidência então pouco presidencialista, mas também Vieira criou raízes e maiores conhecimentos e, embora lhe esteja no sangue a vocação de negociante, ainda precisa de muita ajuda para tomar as melhores decisões no chamado negócio-futebol, em nome da defesa dos interesses do futebol do Benfica... Ainda não descobriu o seu Antero Henrique, alguém que identifique a estrutura e que não seja um elemento que provoque desconfiança no treinador. Sobretudo num treinador que não esteja dependente da estrutura... O que vai acontecer sem Carraça?!...
JARDIM DAS ESTRELAS
Paulo Fonseca – grande desafio!
A escolha de Pinto da Costa acabou por recair em Paulo Fonseca, que tem perfil para corresponder às exigências da estrutura. Não tem tiques de vedeta nem quer ser mais papista do que o Papa. Precisa de ajuda e apoio para compensar a sua inexperiência ao nível de topo e para que o embate com uma nova realidade de balneário não seja traumatizante. Os riscos, como sempre, são calculados. A estrutura confia na sua força. Fonseca só não tem de inventar, nem de conflituar e, se possível, fazer com que o FC Porto jogue um futebol mais atractivo para chamar mais público às bancadas do Dragão. E que tenha uma presença europeia bem mais conseguida. Se for campeão nacional, será mais um. Por isso, o “clique” só pode ser na Champions, num 2014... especial. Fonseca tem “unhas” para tão grande desafio, logo na primeira época, e ainda por cima sem Moutinho nem James? Grande desafio ou... presente envenenado?
O CACTO
Empresários
São necessários? Tornaram-se necessários e criaram uma “teia” difícil de penetrar. Bruno de Carvalho chegou há pouco ao futebol e, por muito que queira, não vai conseguir desalojar “vícios sistémicos” que estão enraizadíssimos. O mercado “faz” as suas leis, mas o negócio-futebol está superinflacionado e tem contornos de “ofensa social”. As comissões pagas pelas SAD são um insulto num meio de fraca regulação.