Força meninos!

Força meninos!

Jogamos hoje a primeira final do nosso Mundial. Digo “primeira” porque acredito que esta noite vamos ganhar aos Estados Unidos e depois teremos a segunda final contra o Gana na próxima quinta-feira. Já não há margem de erro. Não podemos falhar. Mas temos jogadores que estão habituados à pressão dos grandes momentos. Com mais experiência e qualidade do que os norte-americanos.

É verdade que o país ficou dececionado com a goleada que sofremos contra a Alemanha na nossa estreia. A equipa foi muito criticada. Nunca é fácil reagir bem a um resultado tão pesado, mas o jogo contra a Alemanha já passou. Agora temos de apoiar a nossa Seleção na grande batalha de hoje. Tenho a certeza que Portugal vai voltar a estar unido durante os 90 minutos e que, no final, estaremos a comemorar a nossa primeira vitória neste Mundial.

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Também se criticou muito o Pepe pela sua expulsão. Primeiro: o Pepe, felizmente, apanhou só um jogo e já poderemos contar com ele frente ao Gana. Segundo: este não foi o primeiro jogo do Pepe na Seleção Nacional. Entrou na equipa em 2008, ainda com Scolari, e tem sido um dos nossos jogadores mais importantes desde essa altura. Esteve no Euro’2008, Mundial de 2010 e Euro’2012. Leva 59 internacionalizações por Portugal. Irá cumprir os 60 jogos contra o Gana. E, certamente, voltaremos a ter o Pepe a que estamos habituados: aquele que é, sem dúvida, um dos melhores centrais do Mundo da atualidade.

Além dele, todos estes jogadores que perderam contra a Alemanha foram os mesmos que nos fizeram sonhar com a taça no Euro’2012. Os mesmos que nos encheram de orgulho apenas há dois anos. Não são um mau jogo e um mau dia que têm de deitar tudo a perder. Maus dias todos nós temos nas nossas profissões e nas nossas vidas. Mas os campeões levantam-se e tentam fazer melhor no dia seguinte. Esse dia, para a nossa Seleção, será hoje.

Somos favoritos frente aos Estados Unidos. Temos melhor equipa (mesmo com as várias baixas) e poderemos fazer os norte-americanos sofrer muito. Mas atenção: neste Mundial, muitos favoritos têm caído contra equipas mais fracas ou têm ganho com dificuldades. Por isso, precisamos de encarar os Estados Unidos com o mesmo espírito que iríamos ter se enfrentássemos uma das melhores seleções do Mundo. Temos de olhar para este jogo como ele é: uma final. A nossa última oportunidade para seguirmos em frente. É ganhar, ou ganhar. Não tenho dúvidas que todos os nossos jogadores têm isso em mente. Eles, melhor do que ninguém, sabem da importância do jogo e estão desejosos para entrar em campo e dar uma vitória ao nosso país.

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Para nós, hoje, é o tudo ou nada. Para a Espanha, o Mundial já acabou. Até agora, essa foi a maior deceção. E também a maior surpresa. Antes do início, ninguém se atrevia a eleger dois ou três favoritos para ganhar a Copa sem colocar o nome da Espanha. E ninguém esperava um desfecho assim. Mas esta geração foi uma das melhores de sempre do futebol mundial. Bicampeões da Europa e campeões do Mundo. Mais do que as criticas pelo que não conseguiram alcançar no Brasil, merecem os elogios por tudo o que ganharam antes. E também temos de dar mérito a quem esteve do outro lado. O Chile é uma das seleções que melhor futebol tem mostrado. Tem organização, raça e criatividade. O trio da frente, com Vidal no apoio à dupla Vargas-Alexis, é capaz de desfazer qualquer equipa. Como aconteceu frente à Espanha.

Outra grande surpresa foi o que a Costa Rica conseguiu no chamado “grupo da morte”. Ninguém contava com eles e muitos diziam que iam perder os três jogos e voltar para casa com zero pontos e muitos golos sofridos. Para já, são os únicos que garantiram lugar nos oitavos-de-final depois de vencerem (e bem) o Uruguai e a Itália. A Inglaterra, a par da Espanha, é o segundo gigante que está fora do Mundial.

Tem sido uma competição incrível. Um dos Mundiais mais surpreendentes de que há memória. Com muitos golos, incerteza nos resultados, surpresas e vários grupos em aberto. Um banquete de luxo para todos os adeptos de futebol. Mas ainda falta a melhor parte: a vitória de Portugal. Não interessa como começa, mas sim como acaba. E, esta noite, podemos começar a vencer. Força, meninos! O país está convosco!

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GRANDE CALDEIRADA

Os hinos são para tocar

De todas as vezes que representei a nossa Seleção, o momento do hino era único e arrepiante. Sentia um orgulho enorme e as lágrimas quase que me saltavam dos olhos. É assim com todos os jogadores que representam o seu país. Por isso, não se pode admitir que num Mundial em 2014, com toda a tecnologia que existe, os hinos não tenham tocado no França-Honduras e que o hino do Brasil, frente ao México, tenha sido interrompido a meio. Os hinos são para tocar sempre e até ao fim. Esta FIFA, realmente, não acerta uma.

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MELHOR MOMENTO

O herói Pereira

Estava a ver o Uruguai-Inglaterra e fiquei arrepiado quando o Alvaro Pereira levou uma joelhada involuntária do Sterling. Caiu inanimado e todos temeram o pior. Depois, levantou-se com a ajuda dos companheiros. O médico queria proibi-lo de entrar em campo, mas ele disse que não e voltou lá para dentro, numa das imagens mais incríveis que este Mundial já nos deu: a vontade, a garra e a raça de um jogador a querer ajudar o seu país. Logo a seguir fez um carrinho e mostrou aos companheiros, ao treinador e ao médico que estava recuperado. E foi fundamental para a vitória da sua equipa.

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O CRAQUE

O “matador” Suárez

Não jogou contra a Costa Rica por estar a recuperar de lesão, mas voltou frente à Inglaterra para dar a vitória ao Uruguai. Com dois momentos de génio. No primeiro golo, recebeu uma assistência de Cavani, que foi meio golo, e teve um gesto técnico incrível com o cabeceamento. No segundo, aproveitou um mau corte de Gerrard (seu colega de equipa no Liverpool) e fuzilou Joe Hart. No final, foi ter com Gerrard para consolá-lo. Chorou de emoção com a vitória da sua seleção, mas não deixou de ter um gesto muito humano para com um adversário que também é seu companheiro em Inglaterra. Suárez foi um campeão. Dentro e fora do campo.

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