Futebol a fingir

O escândalo dos resultados dos jogos de futebol comprados por uma rede de apostadores rebentou bem no meio da Alemanha, o país organizador do próximo Campeonato do Mundo. Parece até ironia, mas não, trata-se apenas de coincidência. Lá, como noutros países, os adeptos de futebol andaram expostos à mentira de comprar gato por lebre; os jogadores e treinadores foram aldrabados. Mas chegou o dia em que o árbitro Robert Hoyzer resolveu contar tudo. Ele recebia ordens da máfia croata por SMS. Antes dos jogos, às vezes ao intervalo, para fazer correcções – os resultados estavam controlados. Uma expulsão aqui, um "penalty" ali, e o negócio fazia-se a troco de euros e até de um ecrã de plasma.

Este caso não implica o exagero de retirar o Mundial à Alemanha, mas a FIFA devia começar por suspender a participação dos árbitros alemães nos próximos estágios. Só para usar a mesma medida aplicada a Portugal, um país onde, infelizmente, os árbitros não têm a cabeça no lugar, como se pode comprovar pela lista de arguidos do Apito Dourado.

PUB

Cá, não se conhece ainda qualquer esquema ilícito de apostas que justificasse o pagamento em plasmas. Euros em circulação haverá, mas as contrapartidas são ainda mais prosaicas: um copo num bar de alterne com uma profissional de "top", a promoção à categoria seguinte garantida (ou a despromoção evitada), um passeio ao Brasil. Lazer e satisfação pessoal. O desafio seguinte do Apito Dourado é fazer saltar um Hoyzer português que assuma as suas fraquezas egocêntricas de querer ser o primeiro da classificação, internacional, estar no Mundial ou no Europeu, e conte como são verdade, verdadinha, todas aquelas histórias de anos que só têm um nome como bode expiatório, o tal sr. Calabote. Ninguém mais se surpreenderá em Portugal, seja qual for o nome que vier a ser chamado pela Polícia Judiciária. A questão agora é saber quem vai contar tudo: as tavernas, os quinhentinhos, as viagens, os telefonemas, os almoços. Afinal: quem, quando, como e onde? O quê e porquê já todos sabemos.

Semanada

1. Monteiro. Um piloto português na Fórmula 1 é indiscutivelmente uma das notícias da semana, senão for mesmo "a notícia". Portugal, dizem, está de tanga, mas os talentos sobrevivem à crise.

PUB

2. Jordan. A equipa de Tiago Monteiro já foi a quinta mais importante da F1, atrás de Ferrari, McLaren, Williams e Renault, mas caiu tanto que teve de aparecer um russo para a salvar. Promete.

3. Manel. Pode tornar-se no caso mais bem sucedido da formação do Benfica desde a revelação de Rui Costa. Aos 19 anos, Manuel Fernandes está na Selecção Nacional, aos 20 será multimilionário.

4. Algarve. Toda a gente sabia que o Estádio Algarve estava condenado a ser um grandessíssimo elefante branco, mas ninguém esteve muito preocupado. Agora, quem veio quer mesmo fechar a porta.

PUB

5. Totonegócio. Este acordo vê-se hoje que foi uma negociata feita à pressa, por oportunistas. E quem paga a factura são sempre os mesmos: nós, os contribuintes. Assim é fácil gerir/governar.

6. Couceiro. Acredito nele (apesar do que tiver acontecido ontem, no Estoril). Por onde passou, a par da competência andou sempre um discurso coerente. No futebol português, ele pode fazer de tudo.

7. Bárbara. É triste ver uma jovem desportista, no caso nadadora, apanhada assim no controlo "antidoping", sujeita a uma suspensão de seis meses. A lição veio cedo, que tenha aprendido.

PUB

Um candidato

Jesualdo Ferreira construiu uma equipa de perfil muito específico. Princípio básico: tem jogadores que sabem tratar a bola. Mas que, para além de manifestarem um gosto apurado pela sua posse, defendem sem sacrifícios. Longe dos dias cinzentos de outrora, Jesualdo está na moda aos 58 anos. Um caso de trabalho sério.

Assustador

PUB

Após a vitória, a descompressão. Não no Chelsea. Este grupo acabou de derrotar o Blackburn, mas onde devia existir alegria permanece a tensão. Desmond Morris comparou os rituais do futebol aos das lutas tribais. Face a esta imagem, o que parecem os do Chelsea senão guerreiros após uma extenuante batalha? Pois, o líder mantém-nos em guarda, sempre de prevenção, e Abramovich faz o resto. E nesta altura já gastou 253 milhões de euros.

Deixe o seu comentário
PUB
PUB