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Godinhismo

Godinhismo

Começou a era do “godinhismo” no Sporting. O “godinhismo” pode ser tudo e pode ser nada. O “godinhismo” pode ser a salvação do Sporting, mas também pode ser o “fogo fátuo” de uma utopia ou mesmo o émulo da visão mais catastrófica. Depende de Godinho Lopes, mas depende – e muito – dos sportinguistas em geral. Dos que apoiam e dos que contestam. Porque uma coisa é certa: se os resultados são fidedignos, mais de 63% dos sócios que exerceram o direito de voto não se reveem, à partida, com o “godinhismo”, naquilo que ele representou em forma de ideário durante a campanha. E inverter essa dinâmica – quando o conjunto de ilhas é maior do que o continente – representa uma tarefa ciclópica e quase impossível.

O“godinhismo” tem já uma prova de fogo no próximo domingo em Guimarães. Bem sabemos que Godinho Lopes e Luís Duque não têm nada a ver com as lógicas construídas nos últimos anos em redor daquilo que constitui hoje a imagem do futebol do Sporting e a sua capacidade de resposta dentro e fora das quatro linhas. Seria injusto e assaz despropositado responsabilizá-los por um eventual desaire, embora se saiba que a declaração do “cheque e da vassoura” pode ter (a ver vamos) consequências neste arranque de mandato e, por isso, coloca desde logo o “godinhismo” em campo. Os novos tempos não dão tempo ao tempo e é preciso agir em conformidade.

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Um triunfo em Guimarães (onde o Vitória joga a última cartada para poder alcançar o 3.º lugar) pode ter o condão de desanuviar um pouco mais o ambiente para a receção à Académica em Alvalade (9 de abril), onde os apoiantes de Bruno de Carvalho estarão em peso e haverá pouca sensibilidade para “separar as águas” – e o “godinhismo” não pode ignorar essa realidade, como se a sua avaliação estivesse apenas reservada para o começo de 2011/12. Infelizmente, as coisas já não funcionam assim, e muito mais quando o ato eleitoral conheceu as incidências que se conhecem.

O“godinhismo” não pode fugir a respostas muito rápidas e eficazes às questões que se colocam ao Sporting, a única forma de Godinho Lopes poder fugir aos efeitos da “inquisição leonina”. O “godinhismo” tem de ser claro e objetivo na questão da auditoria externa, não caindo na tentação de fazer uma “auditoria controlada”, que teria um efeito ainda mais nefasto. O “godinhismo” tem de ser prático e efetivo na construção do plantel para 2011/12. Hesitações e a convicção de que “não é preciso ter pressas” serão aproveitadas, neste fase, pelos adversários (dentro do clube), que são “às dezenas de milhar”. Luís Duque, Carlos Barbosa e Paulo Pereira Cristóvão, neste particular, cada qual no seu sector, têm de trabalhar a “mil à hora” para o “godinhismo” poder, pelo menos, criar uma raiz.

Acampanha eleitoral e a madrugada de 27 de março foram muito negativas para a imagem do Sporting, mas o compromisso perante a necessidade da realização da auditoria externa (sobre as auditorias que naturalmente foram sendo feitas) e do imperativo da alteração dos estatutos, no sentido de modernizar o clube, podem ter valido a pena. O Sporting precisa de se reencontrar.

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