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Jesus, agora não pode falhar

Jesus, agora não pode falhar

Agora que a janela de transferências fechou, é possível olhar para os plantéis e tirar algumas conclusões.

BENFICA. A maior de todas relaciona-se com o Benfica. Não vendeu nenhum dos jogadores que se achavam na calha para deixarem a Luz (Garay, Salvio, Gaitán e Matic foram os nomes mais badalados) e isso tem dois tipos de implicações: financeiramente, representa um grande esforço para os cofres da Luz (só o futuro nos dirá se trata de um esforço sustentável); desportivamente, o Benfica apresenta, agora, um conjunto de soluções que há muito não tinha, restando saber se elas são compatíveis e que aproveitamento Jorge Jesus vai fazer delas. O Benfica tinha vários tipos de problemas:

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Baliza – Precisava de uma alternativa para Artur. Solução encontrada: Oblak. Júlio César, que chegou a ser referenciado, teria o condão de espicaçar Artur; assim... Oblak pode chegar para as encomendas, é um guarda-redes de futuro, mas talvez não seja suficiente para ser um concorrente imediato do brasileiro.

Centrais – Procuraram-se alternativas a Luisão e Garay. Solução encontrada: contratação de Steven Vitória, Lisandro López e Mitrovic, a juntar a Jardel. Como Garay não saiu, a situação não se complicou, mas não foram um bom sinal as dispensas dos dois recém-contratados (L. López e Mitrovic). “Salvou-se” Steven Vitória. Conclusão: houve um ligeiríssimo reforço do sector.

Laterais – O ponto fraco do plantel do Benfica, que vem sendo (mal) remediado há anos, conheceu um novo impulso com a contratação de Siqueira para compensar a má aposta na compra de Cortez, que se julgava ser finalmente a solução de um problema, à esquerda. À direita, Maxi (defende cada vez pior) e Sílvio (muito atreito a lesões), a situação parece pouco fiável.

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Meio-campo – A entrada de Fejsa foi para acautelar uma possível venda de Matic e criar alternativa para a posição 6. Ao permanecer no plantel, Matic pode agora ser utilizado a 8, em prejuízo de Ruben Amorim, o que abre o leque de possibilidades a JJ. Salvio lesionou-se e é uma carta fora do baralho até Fevereiro/Março, cuja posição pode ser ocupada por Enzo Pérez ou Gaitán (que também pode ser utilizado sobre a esquerda, com Ola John à espreita). Markovic seria a melhor solução para jogar por trás do ponta-de-lança, mas, com Cardozo no plantel, é expectável que o jovem jogador sérvio seja encostado à esquerda, passando a ter Gaitán como concorrente directo. Há ainda Djuricic e Sulejmani.

Ataque – Com Lima e Cardozo como soluções prioritárias, todas as outras alternativas (incluindo Rodrigo) serão secundárias.

FC PORTO. Sem muito ruído, o FC Porto não deixou adensar a ideia de que poderia sofrer uma hemorragia. Houve sempre a expectativa de algumas vendas (Otamendi, Mangala, Fernando, Varela e Jackson Martínez estiveram na linha da frente), mas os portistas – e bem – anteciparam os negócios que havia a realizar, com as vendas de James Rodríguez e Moutinho, proporcionando ao FC Porto um encaixe de 70M€ e evitando agitação supletiva com entradas e saídas. Problemas do FC Porto são poucos:

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Baliza – Situação controlada.

Centrais – Com Otamendi, Mangala, Maicon e Diego Reyes (o que permitiu emprestar Abdoulaye), o nível é bastante alto. Um sector que não precisava de reforço(s).

Laterais– Com Danilo e Fucile para a direita e Alex Sandro e... Fucile para a esquerda (com Maicon e Mangala a poderem encostar às laterais), os potenciais titulares sentirão uma ligeira concorrência. Um certo perigo de Alex Sandro em se deixar acomodar.

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Meio-campo – Há muito que o FC Porto não tem um concorrente para Fernando, que é essencial no miolo. O jogador mais caro (Herrera, 8 milhões) ainda não se adaptou. Defour, Lucho e Josué disputarão dois lugares, se Paulo Fonseca não insistir em colocar Josué a jogar por fora.

Ataque – Quintero (à direita), J. Martínez e Licá parecem reunir as condições para constituírem o trio de ataque, com Ricardo, Ghilas e Varela à espreita. Ainda há (?) Izmailov.

SPORTING. Os leões estão a fazer aquilo que já deveria ter sido feito há muitos anos: arrumar a casa, mantendo a “marca de Alvalade”, que é apostar em jogadores da formação. As renovações atempadas de alguns potenciais craques constituíram uma das principais medidas. Jogadores caros e não competitivos não têm lugar. Aplaude-se. O Sporting não pode ser uma maternidade de jogadores e depois não rentabilizá-los no mercado. É paradoxal e inaceitável. Bruma acaba por render (em €€€) mais do que Wolfswinkel, o que não deixa de ser interessante para reflexão.

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Em conclusão: estabilidade no FC Porto. Grande reforço no Benfica. Casa arrumada no Sporting. Com o actual plantel é caso para se dizer que, a partir de agora, o Benfica reforçou a sua candidatura ao título. Resta saber se os 5 pontos já perdidos na Liga não serão irremediáveis. E isso parece depender mais de um estremeção do FC Porto do que propriamente no reforço da competitividade do Benfica.

JARDIM DAS ESTRELAS
Bem visto Vítor... leão!

Há uma semana exaltava as qualidades do ex-pacense Vítor e colocava uma pergunta: como é que este médio de grande talento nunca despertou o interesse dos grandes? A resposta foi dada pelo Sporting, sem ruído, ao contratá-lo para fazer parte do plantel leonino. É mais um jogador português e, mais velho do que a generalidade dos futebolistas de Alvalade, pode ser uma ajuda preciosa para contrabalançar alguma verdura... O seu futebol apresenta uma dimensão técnica apurada e, olhando para o esquema habitual de Leonardo Jardim, Vítor pode ocupar a posição de André Martins, mas também pode jogar com ele num 4 de meio-campo, em certas situações. Aliás, como Josué no FC Porto, o ex-pacense também tem condições para jogar aberto ou em terrenos mais interiores, mas a sua vocação é mesmo de organizador. Boa malha!

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O CACTO
Fernando Gomes

Passou mais uma semana desde que o director federativo, João Vieira Pinto, foi condenado em tribunal (‘fraude fiscal qualificada’) e a FPF continua muda e queda. A Selecção Nacional jogou ontem em Belfast e a comitiva apresentou-se intacta. Se há alguma coisa que a FPF deve fazer, até para honrar os seus estatutos, é não pactuar com ilegalidades. Estranho (?) o silêncio do presidente Fernando Gomes e talvez um pouco menos estranho o silêncio da tutela. Porquê?

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