O polémico golo que o portista Maicon marcou ao Benfica, na Luz, foi o rastilho ideal para uma sucessiva guerra de palavras entre águias e dragões, com episódios semanais que prometem prolongar-se até à decisão do campeonato. Entre “bloqueios” e “aldrabices”, cada uma das partes atira críticas para as arbitragens, quando deveriam olhar mais para dentro e analisar os erros cometidos ao longo desta época.
É consensual que os maiores clubes tendem a ser muito mais beneficiados do que os pequenos. Talvez seja por esta cultura instalada no nosso futebol que soa sempre o alarme quando um “grande” se sente prejudicado. Porém, entre o deve e o haver, e no que respeita a Benfica e FC Porto, não se pode dizer que um deles tenha sido mais lesado ou ajudado. A constante perda de pontos na Liga deve-se mais ao demérito e baixa performance de benfiquistas e portistas. Era bom que jogassem um pouco mais de futebol.
Por motivos diferentes, Benfica e FC Porto não estão a mostrar a consistência e argumentos necessários para poderem reivindicar, desde já, maior favoritismo. O futebol que apresentam nem sempre corresponde às expectativas e a gestão dos plantéis por Jorge Jesus e Vítor Pereira também merece reparos.
No caso das águias, a equipa parece não ter precavido esta fase de maior intensidade de jogos, com os jogadores a não mostrarem grande frescura, em função da pouca rotatividade do onze titular em grande parte da época. Já os dragões quase não têm jogadores para o meio-campo, situação que muito limita a equipa, após a debandada de três médios em janeiro e também por via da lesão de Danilo, um “joker” polivalente que tem estado de fora (sem falar na dispensa de Rodríguez).
A exemplo de 2005, ano em que ganhou o Benfica de Trapattoni, o vencedor desta Liga será o menos mau e aquele que se mostrar mais eficiente. Esta época tem uma característica diferente: um outsider chamado Sp. Braga. Organizada, forte e pragmática, a equipa bracarense tem razões para acreditar no primeiro título de campeão da sua história.
No Minho estão vários portugueses a sobressair. Quim, Custódio, Rúben Amorim e, principalmente, Hélder Barbosa e Hugo Viana colocaram o Sp. Braga noutro patamar. As suas aspirações de chegar à Seleção são mais do que legítimas.
Olhando para o Sp. Braga, com vários atletas lusos a renderem no seu conjunto, dá vontade de perguntar por que é que os três grandes não seguem o exemplo. Bons jogadores, acabam mesmo por ser emprestados. Castro não teria lugar no atual plantel do FC Porto? Wilson Eduardo não faria melhor que Ribas no ataque do Sporting? Carlos Martins não seria precioso agora na ausência de Aimar por castigo?
A Liga deveria pensar na promoção do jogador português, em vez de se focar em questões como o alargamento, cujas consequências até poderão vir a matar uma medida importantíssima para o futebol nacional: o regresso das equipas B. Seria uma falha capital.
PS: Não quero acreditar que haja jardins-escolas do país a ensinar e a forçar crianças a cantar letras de canções com conteúdos favoráveis a um clube, qualquer que este seja. Ao longo da vida, o cidadão deve ser livre de fazer as suas escolhas, sem condicionalismos. Esse é um dos princípios de uma sociedade democrática.