Sendo verdade que a base do futebol continua a ser o talento individual dos artistas, não custa reconhecer que toda a sua expressão depende da capacidade para coordenar todos os elementos em causa na formação de uma equipa. O Sporting está agora a livrar-se de futebolistas que, em dois anos, foram dupla tragédia: pelo rombo que provocaram nos cofres do clube e pelo fracasso que representaram em campo. Leonardo Jardim é o timoneiro sintonizado com o projeto e uma figura aglutinadora como defensor da felicidade comum.
Jorge Valdano cruzou-se com Arrigo Sacchi num momento delicado para o seu bem-estar como treinador do Real Madrid (entre 1994 e 1996), obrigado a tomar decisões que feriam a sensibilidade dos adeptos. “Se a coisa correr mal perco duas vezes”, explicou ao amigo italiano que, por sua vez, o incentivou a não desistir: “Se um treinador não tem a coragem de fazer o que considera correto perde antes de jogar.” LJ não levanta dúvidas a esse nível: sairá vencedor ou derrotado mas fiel aos seus princípios. É um treinador com ideias claras, que recusa álibis, e homem assente em convicções de ferro, cuja mensagem serve para dar sentido de orientação aos jogadores, melhorando o futebol de todos e cada um.
O Sporting está hoje muito dependente da competência do seu treinador, porque só será feliz se conseguir que o rendimento global da equipa seja superior à soma das partes. Nada que atemorize um líder que conquistou autoridade e respeito pela via do saber, assente num estilo próprio e em conceitos que nunca aceitou negociar. Apesar da situação delicada que o clube vive e das decisões estratégicas para manter o equilíbrio desportivo e financeiro, LJ parte convicto de que o Sporting terá na Liga um papel muito para lá de simples figurante. Alvalade agrega esperança às dificuldades. A começar pela confiança no trabalho, perfil e estatuto de quem ainda não falhou no futebol profissional.