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No futebol não há campeões antecipados. A máxima ganhou ainda mais sentido com a reviravolta que a 1.ª Liga sofreu nas últimas semanas. O Benfica perdeu a vantagem que tinha para FC Porto e Sp. Braga, e o campeonato português ganhou três candidatos ao título. Nesta altura, é impossível apontar um favorito e não há certezas sobre quem será o campeão.
Há que realçar a competitividade da Liga. O FC Porto levou a melhor no clássico da Luz, mas o resultado podia ter pendido para qualquer lado. É pena que as atenções se tenham centrado no trabalho da equipa da arbitragem, ignorando-se um dos melhores embates entre águias e dragões dos últimos anos. O jogo, cheio de intensidade e sem amarras defensivas, teve duas reviravoltas no marcador, golos bonitos e foi um agradável serão (clubismos à parte) para quem gosta de futebol.
Os portistas ficam agora com três pontos de avanço e vantagem direta sobre o Benfica. A vitória na Luz muito se deveu à coragem tática do seu treinador (a entrada de James para o lugar de Rolando foi a chave do jogo). Acaba por ser caricato que Vítor Pereira, tão criticado ao longo da época pelos adeptos (e pela comunicação social), tenha superado a estratégia de Jorge Jesus, até aqui alvo dos mais diversos elogios.
Vítor Pereira está a evoluir como treinador, é bom dizer. Uma estreia na 1.ª Liga, à frente do campeão nacional, nunca seria tarefa fácil. O técnico portista tem aprendido com os próprios erros, recompôs a sua equipa e está a merecer a confiança depositada nele por Pinto da Costa. Faltar-lhe-á talvez limar a sua comunicação, com um discurso mais incisivo e menos nervosismo nas conversas com os jornalistas, à semelhança do que fez Jesualdo Ferreira, também ele um mal-amado que triunfou no Dragão.
Uma palavra ainda para Fernando. O portista está na melhor fase desde que chegou a Portugal. A par de Maicon, é o jogador que mais cresceu com Vítor Pereira. O seu futebol ganhou profundidade e, além da tremenda eficácia defensiva, já o vemos a marcar golos e a fazer assistências. Fernando terá o sonho de jogar pela seleção do Brasil, mas, se fosse possível naturalizá-lo para jogar por Portugal, eu assinava por baixo. Daria muito jeito a Paulo Bento no Euro’2012.
Já o Benfica está num ciclo negativo, em vésperas de um jogo de crucial importância para a Liga dos Campeões. É difícil perceber o recente trambolhão, mas há sinais que ajudam a explicar. O facto de alinhar com um onze muito ofensivo, por vezes, desequilibra os processos defensivos das águias. A estratégia funcionará com a maioria das equipas portuguesas, mas com equipas mais fortes seria aconselhável um maior preenchimento do meio-campo defensivo.
É por isso pouco compreensível que Jorge Jesus tenha permitido a saída de Ruben Amorim, ficando com três soluções para o meio-campo defensivo (Javi Garcia, Matic e Witsel), para poder fazer face a uma época cheia de jogos e a eventuais lesões e castigos. A saída de Ruben Amorim tem ainda a agravante de ter reforçado um concorrente direto do Benfica nas contas do título, o Sp. Braga.
E por falar nos minhotos, uma equipa com 10 vitórias consecutivas tem de ser alvo de todos os elogios. Os guerreiros apresentam uma equipa madura, recheada de grandes valores e capaz de ganhar em qualquer campo, como se viu recentemente na Turquia, num dos estádios mais difíceis da Europa. Este Braga vai dar luta e pena é que o Sporting não siga o seu exemplo.