Sem o brilhantismo de outros anos, o FC Porto acabou por ser campeão com mérito. Na hora de todas as decisões, sobretudo contra os adversários diretos, os dragões foram eficazes e não falharam. O título poderia ter pendido para Benfica ou Sp. Braga, que também seriam dignos vencedores, mas a perda de fulgor de ambos na ponta final acabou por comprometer as suas aspirações.
Nem sempre as coisas correram bem aos dragões. As perdas de Villas-Boas e Falcão, assim como a insatisfação pública de alguns jogadores que queriam sair, tornaram-se numa verdadeira batata quente nas mãos de Vítor Pereira. Seria difícil para qualquer um lidar com um plantel nestas circunstâncias. Talvez por isso, as decisões tomadas nem sempre foram as mais óbvias. E o próprio Vítor Pereira reconheceu ter sido um ano de aprendizagem.
As mexidas no mercado de inverno foram fundamentais para o êxito portista. Saíram jogadores insatisfeitos e entraram Lucho e Janko, atletas com experiência e maturidade que trouxeram equilíbrio ao balneário e maior confiança à massa associativa. Além disso, a entrada de Paulinho Santos na equipa técnica foi uma boa decisão da estrutura do FC Porto. Ajudou a reforçar a mística dentro do grupo e deu força à posição de Vítor Pereira.
Na fase decisiva, Hulk apareceu no seu melhor. É a figura maior desta Liga. Um jogador de qualidade extraordinária que ficará na memória de todos. Além do inegável talento e força explosiva, o seu profissionalismo também deve ser elogiado. Foi o capitão de que a equipa necessitava e não se deixou levar pelo estrelato nem pelas inúmeras notícias de mercado que o envolviam.
Helton fez também uma época de grande nível, transmitindo segurança e tranquilidade aos companheiros. Valeu pontos e evitou bolas com selo de golo. Foi ainda foi uma extensão do treinador em campo, ao comandar uma defesa que registou muitas mudanças ao longo da época. Maicon foi um herói improvável. Parecia condenado a quarta opção, mas foi uma aposta pessoal do treinador que deu resultado. À direita ou no centro, assumiu-se como patrão da defesa e marcou golos preciosos. Já João Moutinho voltou a ser um dos maestros. Excecional no preenchimento dos espaços defensivos e ofensivos, o médio português foi peça chave nos dragões. Esta época, teve o desafio adicional de jogar numa posição mais defensiva sempre que Fernando esteve ausente. E não falhou.
Talhado para altos voos, James foi outro trunfo. Talentoso, cria momentos de magia, seja a assistir ou na frieza com que faz golos. A sua produtividade é notável, se tivermos em conta que estamos a falar de um jovem de 20 anos. Deixa claramente a ideia que poderá fazer mais e melhor.
Se alguns se destacaram, outros foram uma deceção. Rolando esteve irreconhecível, A. Pereira rendeu pouco e Varela não foi o mesmo de anos anteriores. Todavia, outros deixaram a promessa de futuro risonho. Mangala tem tudo para se tornar num central de eleição, Danilo tem muita qualidade, Alex Sandro conquistará a lateral esquerda, o talento de Iturbe poderá despontar e a juventude de Kléber justifica nova oportunidade. Matéria-prima não falta.