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O FC Porto de Paulo Fonseca

O FC Porto de Paulo Fonseca

1 A saída de João Moutinho e a entrada de Lucho na veterania obrigam Paulo Fonseca a pequenos ajustes na sala de máquinas do tricampeão nacional. Quaisquer que sejam os desenhos no triângulo do meio-campo não são eles a alterar a ideia, os princípios e o modo operativo do futebol portista.

O importante é ter resposta para orientações mais significativas no funcionamento coletivo: querer ter a bola mas saber comportar-se quando a perde, seja qual for a situação e a zona em que isso aconteça; jogar sempre com esperança e coragem mas reagir com serenidade a momentos de maior tensão e dificuldade; tentar fazer do futebol uma festa mas não ter medo no caso de se transformar numa guerra de correrias sucessivas para trás e para a frente.

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2 Este FC Porto concilia conceitos fundamentais como ordem e entusiasmo; luta e talento; responsabilidade e risco. É a equipa em Portugal que melhor se expressa em ataque organizado; aquela que se sente mais confortável à volta da bola, que melhor define o posicionamento dos seus jogadores e mais proveito tira de jogar continuadamente no meio campo adversário. Paulo Fonseca não cometerá a loucura de alterar a matriz de uma formação reconhecida pelos atributos de segurança, responsabilidade, articulação, precisão, harmonia e equilíbrio que lhe dão forma. Se conseguir manter esses fundamentos pode ainda estimular a liberdade e a felicidade de cada um dos seus elementos mais criativos. Aqueles cujo talento costuma ser excessivo para o espaço, a função e a ação que os treinadores lhes oferecem.

3 O desafio do treinador estende-se, por isso, ao aproveitamento dos médios do plantel. Paulo Fonseca tem espaço de manobra para dar lugar a um ilusionista que, cumprindo as obrigações do senso comum, funcione como artista da companhia – papel que, para já, tem sido de Lucho. Se Herrera terá funcionalidade idêntica à de João Moutinho, Josué e Quintero são diferentes: precisam de valorizar responsabilidade no funcionamento de uma grande equipa para poderem usufruir da liberdade numa zona mais central, logo de maior risco.

4 A obrigação prioritária de Paulo Fonseca é a de manter um estilo que constitui sinal de identidade do clube, cumprindo a orientação universal de dar homogeneidade às diferenças de cada um dos elementos da equipa, tornando-as solúveis na produção coletiva. Está também impelido a versatilizar um exército que só se sente confortável a atacar unido à volta da bola, assente num jogo posicional primoroso, em rotinas e movimentações assimiladas, mas que sofre de mais em fases de transições rápidas e sucessivas. O futebol mais direto não será um fim mas deve fortalecer a expressão da orquestra. Nesse sentido, Licá está em condições de desempenhar papel importante, pelo antagonismo de um jogo vertical, veloz, preciso e acutilante.

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