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A paciência dos adeptos do FC Porto em relação a Vítor Pereira parece estar a esgotar. Os números não mentem: nos últimos 11 jogos realizados, os portistas apenas venceram quatro, registo insólito e pouco habitual para uma equipa habituada a ganhar. A derrota estrondosa na Taça de Portugal evidenciou que o Dragão não está bem de saúde.
Cada dia que passa tem sido mais uma dose de sofrimento para a massa associativa azul e branca. Frente à Académica, não se viu a equipa do FC Porto em campo, mas sim um grupo de jogadores a fazer um jogo desconexo, desgarrado e sem qualquer acutilância. Ironia das ironias, o resultado final espelhou a pena que se aplica a uma falta de comparência: 3-0.
As manifestações de confiança e os argumentos de Vítor Pereira relativamente à equipa e ao seu trabalho estão a deixar de fazer sentido. O erro terá começado logo na sua apresentação em junho, ao dizer que “equipa podia crescer ainda mais” em relação ao ano anterior, mito que acabou por se ver obrigado a desfazer recentemente quando os maus resultados se começaram a avolumar.
Uma banda só desafina se o maestro não estiver à altura. Apesar das competências técnicas, Vítor Pereira apresenta debilidades que o fazem tremer na cadeira de treinador de uma das melhores equipas europeias. Isso é visível ao nível da liderança, já que os jogadores não interpretam as suas ideias, e também do discurso, onde ao jeito do ministro da Informação do Iraque, conseguiu ver e destacar prestações positivas em exibições paupérrimas que a equipa realizou.
Há que reconhecer que Vítor Pereira recebeu uma herança pesada de André Villas-Boas, que até para o atual treinador do Chelsea seria difícil resolver. Motivar jogadores que ganharam tudo, muitos deles com a cabeça numa transferência milionária, não é fácil. Há atletas de referência, como Rolando, Otamendi, Álvaro Pereira, Fernando e Hulk, a render muito menos, o que retira capacidade para ganhar os jogos.
Este é também um preço a pagar pela estratégia (bem-sucedida, diga-se) que o FC Porto adotou na aposta e valorização de jovens talentos, na sua maioria estrangeiros. Muitos jogadores chegam ao clube com a ambição de se revelarem na montra europeia e partirem para outras paragens. Isto tem implicações na equipa, que deixou de ter um núcleo duro de jogadores com mais de cinco anos de clube. No passado, muitos jogadores eram formados na casa e passavam a mística do que é “jogar à Porto” e como lidar nas situações complicadas. Agora é mais difícil.
Pelo seu trabalho e esforço, Vítor Pereira merece respeito. Está associado a uma das épocas mais brilhantes da história do FC Porto e sente o clube como poucos. No entanto, isso nem sempre é suficiente para se conseguir resultados. Os próximos jogos vão ditar, certamente, o seu destino. A partida de quarta-feira com o Shakhtar é decisiva para as aspirações na Liga dos Campeões. E logo a seguir estará em causa a liderança da Primeira Liga na receção ao Braga.
Face à eliminação precoce da Taça de Portugal, esta época poderá marcar ainda uma mudança de paradigma. Muito provavelmente, o FC Porto vai ver a Taça da Liga com outros olhos. Estou em crer que, independentemente do treinador que estiver à frente da equipa na altura, o clube vai utilizar os seus principais jogadores e tentar vencer a prova, para menorizar os danos provocados pela derrota de sábado.