Eduardo Barroso, adepto do Sporting, perdão, comentador para “assuntos do Sporting”, perdão, presidente da AG do Sporting, perdão, emérito cirurgião da nossa praça, indubitavelmente, reagiu à reação do presidente do FC Porto, Pinto da Costa, que fala sempre nesta condição, na maior parte das vezes para microfones criteriosamente selecionados, de acordo com as suas estratégias de poder, desta vez para criticar a arbitragem de Duarte Gomes no recente FC Porto-Marítimo. Pinto da Costa não o fez por acaso. Eduardo Barroso também não. Ambos sabem que as arbitragens são muito importantes, em cada época, para o achamento do campeão nacional. Esta temporada ainda mais, porque as equipas equivalem-se. 2012 vai ser um ano terrível: os árbitros não vão ter sossego e as pressões atingirão proporções inauditas. Os dirigentes andam inquietos e percebe-se porquê: o Conselho de Arbitragem mudou, Vítor Pereira é suscetível a pressões (venham elas de onde vierem) e o novo ano abre, praticamente, com um Sporting-FC Porto.
Estas danças e contradanças dos dirigentes do futebol português confirmam a importância que atribuem às arbitragens. Por isso pressionam. Por isso utilizam todo o tipo de coação para garantirem o controlo do sector de arbitragem: quem nomeia, quem arbitra, quem observa e quem classifica.
Pinto da Costa, que é quem mais sabe sobre os meandros deste sector, percebe que o nomeador Vítor Pereira integrou a lista de Fernando Gomes, apoiada por Benfica e Sporting. Sabe também que esse apoio não foi dado romanticamente. Está, por isso, atento às contrapartidas, sobretudo numa época que se apresenta muito mais disputada no topo da tabela classificativa.
O sector de arbitragem está dividido como nunca. No âmbito do novo Conselho de Arbitragem da FPF, em razão dos resultados eleitorais, as picardias prometem adensar-se. Ninguém sabe o que vai acontecer, mas Vítor Pereira vai ter que se esmerar na tentativa de agradar a gregos e troianos. E é neste “exercício de equilibrismo” que a mais pequena distração pode ser fatal.
O Sporting acordou, percebeu que o FC Porto ao longo dos anos tinha conseguido uma certa subserviência do sector, porventura como consequência das estratégias consumadas durante as décadas de oitenta e noventa e compreendeu ainda – antes de se pôr a caminho para não ficar mais para trás – que o Benfica colhera o produto das suas reclamações, depois de ter protagonizado uma das maiores algazarras dos últimos tempos em redor das arbitragens no começo da época passada.
O Benfica também não ficou muito satisfeito com este súbito despertar do Sporting e daí o clima que se gerou, a prometer um 2012 verdadeiramente escaldante. O que, na verdade, interessa discutir é se, em pleno século 21, na era do “big brother” e do escrutínio elevado à expressão máxima, faz sentido continuar a defender a tese da “soberania” dos árbitros. Eu acho que não, porque eles não podem continuar a ajuizar discricionariamente aquilo que se percebe serem decisões erradas. A história, afinal, do médico e o monstro, que se confundem nos seus falsos moralismos.