Já se cumpriram mais de 70 jogos, já se marcaram bem mais de 200 golos, mas, na verdade, só agora o Mundial a sério está a começar.
O alargamento para 48 seleções (o triplo das que existiam no primeiro Mundial em que Portugal participou, no Inglaterra'66!) tornou a fase de grupos num lugar estranho: não se pode dizer que seja mera formalidade (o Uruguai, primeiro campeão do Mundo de sempre, ficou de fora da fase a eliminar; a Turquia foi outra desilusão) mas fez aumentar de tal modo o número de jogos que banalizou a carga simbólica de 'jogo de fase final de Mundial'.
Mesmo assim houve grandes espetáculos, alguns deles inesperados: o Senegal-Noruega, o Inglaterra-Croácia, o Alemanha-Equador, o Costa do Marfim-Equador, o Holanda-Suécia, o Brasil-Marrocos, claro.
Quase todos os 'tubarões' passaram com maior ou menor dificuldade. França, Argentina e Espanha confirmaram credenciais de principais favoritas (apesar do susto inicial da Espanha com Cabo Verde, mas sobre o nosso querido Cabo Verde já lá vou). Se Dembélé continuar a ser tão eficaz no seu talento como foi no hat trick frente à Noruega, a França será favorita em qualquer jogo e em qualquer cenário. Messi, já com 6 golos, pode empurrar a Argentina para uma repetição do título de 2022, ainda que, enquanto conjunto, a França me pareça mais completa e (ainda) mais forte.
Numa camada ligeiramente inferior, mas também no lote de possíveis candidatas ao título estarão Alemanha (apesar do deslize da terceira jornada), Brasil (embora tenha denotado algumas fragilidades no jogo com Marrocos), Portugal, Holanda e Marrocos. Nota relevante: escrevo antes do Holanda-Marrocos, talvez o duelo mais interessante dos 16 avos. Não faço ideia quem possa ter ganho, mas duma coisa estou certo: quem passar é candidato ao título. Depois de ter sido a grande surpresa do Mundial do Qatar, esta seleção marroquina parece ainda mais forte do que a de há 4 anos.
Cabo Verde é a história mais bonita deste Mundial até agora. Três empates com sabor a vitória, estreia épica com Espanha, exibição extraordinária com o Uruguai, festa do apuramento com a Arábia Saudita. A prova de que só o futebol nos oferece momentos em que o mais pequeno e menos abonado pode terminar a sorrir.
Sobre Portugal escrevo depois do jogo com a Croácia. O Mundial'2026 começou há três semanas mas, na verdade, está só a começar.
Por Germano Almeida