O nosso Mundial

O nosso Mundial

Amanhã começa o nosso Mundial. Temos pela frente uma das melhores seleções do Mundo, mas, por esta altura, a Alemanha também está muito preocupada por ter de jogar contra Portugal. A nossa Seleção também é das melhores do Mundo. E tem sido quase sempre assim em todas as fases finais onde estivemos. Este será o sexto Mundial da nossa história. A saga começou em 1966, com a fantástica geração dos Magriços. Foram eles os primeiros grandes heróis do futebol português. Nunca tinham estado num Mundial e ficaram em terceiro lugar logo na estreia. Parecia que, a partir dali, seríamos uma presença constante. Mas passaram duas décadas. Perderam-se duas grandes gerações do futebol português, com enormes craques, que nunca foram a um Mundial e mereciam ter esse prémio nas grandes carreiras que fizeram.

O regresso ao maior palco do futebol mundial aconteceu apenas no México’86. Tinha apenas 20 anos e lembro-me bem da alegria que senti quando soube que estava convocado. Esse orgulho, mais tarde, seria trocado pelo sentimento de vergonha. O México, com o seu famoso “caso Saltillo”, foi uma das páginas mais negras da Seleção Nacional. E eu era um dos jogadores que ali estava. Fiz parte desse escândalo, mas foi necessário travar aquela batalha com a Federação para que os direitos do jogador passassem a ser mais respeitados. Também foi ali que se iniciou uma grande união entre os jogadores (até essa altura a Seleção dividia-se entre o grupo do Porto e o grupo do Benfica). Essa união, provocada pelos problemas do México, manteve-se até aos dias de hoje. Saltillo seria um ponto de viragem. Precisou de acontecer para que a Federação abandonasse a sua estrutura amadora e se profissionalizasse. Aquele Mundial acabou por ser a revolução necessária para que tudo passasse a correr melhor. Hoje temos uma das melhores federações do Mundo e um enorme profissionalismo em todas as áreas. Quando se junta isso à qualidade natural dos nossos jogadores, os resultados aparecem, como tem acontecido.

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Depois do México, só voltámos a um Mundial em 2002, na Ásia, e ficou aquém das expectativas (não passámos a primeira fase), mas, pelo meio, fizemos dois grandes Europeus com a geração de ouro, em 1996 e 2000. Especialmente este último, onde só perdemos nas meias-finais contra a França (que tinha sido campeã do Mundo em 1998 e conquistou esse Europeu).

Em 2006, na Alemanha, voltámos a ter o sonho de conquistar o Mundial, depois dos Magriços, em 1966. Mais uma vez, chegámos às meias-finais. E, tal como no Euro’2000, perdemos frente a França. Mas caímos de pé e acabámos em quarto lugar. Em 2010, na África do Sul, viemos para casa mais cedo do que gostaríamos. Perdemos contra a Espanha, que seria campeã do Mundo, nos oitavos-de-final, num jogo muito equilibrado. Só um golo de David Villa, em fora-de-jogo, conseguiu eliminar-nos.

Estamos em 2014 e chegámos ao Brasil. Com um conjunto de jogadores muito próximo daqueles que estiveram no Euro da Polónia e da Ucrânia, há dois anos. E com o mesmo selecionador. Paulo Bento conseguiu construir uma grande equipa no Euro e levou o país todo a sonhar com a vitória. Perdemos novamente contra a Espanha, mas agora nas meias-finais e apenas na lotaria das grandes penalidades. Podia dar para qualquer lado. Infelizmente, deu para o deles, mas saímos do leste da Europa com uma grande imagem, deixando a clara convicção que merecíamos tanto a final como eles. E passando o sinal de que esta geração de jogadores teria de ser considerada um caso muito sério para o Mundial.

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Esse Mundial que, para nós, começa amanhã. Temos todas as razões para estarmos confiantes e acreditar na nossa Seleção. Somos um país lutador, com uma grande tradição no futebol. Basta ver que chegámos a todas as fases finais, fossem Mundiais ou Euros, desde 2000. Há 14 anos que não conhecemos o amargo sabor de ver os outros jogar pela televisão e de não termos ali o nosso país. E temos tido grandes Seleções. Tal como agora. Sim, a Alemanha é muito forte e uma das favoritas a conquistar o Mundial. Mas Portugal também. Vamos acreditar nesta Seleção. Força, Portugal!

GRANDE CALDEIRADA

Começou torto e piorou. No Brasil-Croácia, a grande penalidade que dá o 2-1 aos anfitriões é mal assinalada. Ninguém tocou em Fred. No dia seguinte, Giovani, do México, teve dois golos mal anulados frente aos Camarões. Nessa mesma noite, a Espanha faz o 1-0 através de um penálti que não existe e a Holanda marca o 3-1 depois de Casillas ter sido carregado na pequena área. É um péssimo sinal que o Mundial comece com erros tão graves de arbitragem.

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O problema é que muitos destes árbitros vêm de países com campeonatos fracos e não têm bagagem para estar num Mundial. Só espero que os erros escandalosos fiquem por aqui.

MELHOR MOMENTO

O primeiro golo de Van Persie contra a Espanha foi incrível. Ele só podia finalizar daquela maneira e teve uma execução de um verdadeiro matador. Voou para bola e marcou um dos melhores golos de cabeça da história do Mundial. O passe do Daley Blind também foi genial. Com aquele lance, os dois deram o mote para a primeira grande surpresa do Mundial. A Espanha, campeã em título, acabou por ser goleada pela Holanda, na reedição da final do último Mundial. O golo de Van Persie abriu caminho para uma vitória estrondosa. Um fantástico “chapéu” de cabeça. Um grande momento de futebol.

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O CRAQUE

Bastava olhar para a cara de Neymar antes de marcar o penálti que daria o 2-1 ao Brasil no jogo de abertura frente à Croácia. Um menino de 22 anos que tinha uma nação inteira aos seus ombros. Não tremeu. O Brasil precisou muito dele neste primeiro jogo e Neymar respondeu com dois golos. Não podia ter melhor estreia. Passou uma mensagem clara: está pronto para lidar com a pressão e podem contar com ele para desequilibrar. Depois deste jogo, o Brasil ficou com a certeza de que o seu maior craque está a 100 por cento.

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