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“Arrisquei a carreira ao jogar a final da Champions.” Estas foram as declarações de Cristiano Ronaldo na última quinta-feira. Por todo o pesadelo que passei durante vários anos com o tendão rotuliano, não tenho a mínima dúvida que o Cristiano não só arriscou a sua carreira na final disputada no Estádio da Luz, mas também ao jogar o Mundial do Brasil com a camisola de Portugal.
Este tendão é uma autêntica armadilha para os jogadores imprescindíveis, que querem e têm de competir sempre. No momento em que começas a teres pequenas dores no joelho podes continuar a jogar com um adesivo branco à volta da rótula, bem apertado, para sentires menos dores. Começas a treinar com algumas limitações mas sempre com a dor presente e não há nenhum “laser” ou qualquer outro aparelho que possa curar. Começa por ser uma pequena tendinite e dois ou três meses depois transforma-se numa tendinite crónica; quando chegas a esta fase, estás muito perto do abismo e de estoirares completamente o joelho, como foi o meu caso, com a rotura parcial do rotuliano. Tinha 27 anos quando fiz a primeira de três operações, num período de dois anos e meio, e nunca mais voltei a ser o jogador que era. Mais tarde com o outro Ronaldo, o Fenómeno, aconteceu-lhe o mesmo. Foi operado em Paris pelo mesmo médico que me operou a terceira vez: o professor Gerard Saillant, o homem que mais entende de tendão rotuliano a nível mundial. Só há uma solução para curares uma tendinite destas: repouso absoluto durante várias semanas.
O nosso menino, o melhor jogador do Mundo, sentiu pela primeira vez dores no tendão a 23 de março, no clássico contra o Barcelona no Estádio Santiago Bernabéu. A partir deste momento a dor foi crescendo gradualmente e no dia 24 de maio, na final de Lisboa, estava muito perto da rotura parcial. O risco que corria Cristiano era enorme, porque já estava no limite. O mesmo aconteceu no Mundial, mas que teria coragem de dizer ao “bicho”, como eu lhe chamo carinhosamente, que tinha que repousar várias semanas e perder uma final da Champions League e um Mundial com Portugal?
Mudando de tema, Portugal jogou ontem em Paris um amigável contra a França, naquele que foi o primeiro jogo do novo selecionador português Fernando Santos. Em todos os países em que joguei, qualquer adepto e amante deste desporto maravilhoso adora fazer comentários sobre a sua seleção. Até os japoneses, que são muitos pacíficos e tranquilos, como já disse nestas linhas em algumas ocasiões, adoram falar, dar a sua opinião e também criticar a equipa do seu país. E nós portugueses estamos no topo dos adeptos que mais falam sobre a nossa Seleção: todos somos selecionadores quando chega o momento de sair uma convocatória e todos somos mestres a fazer o onze inicial. Quando um treinador sai e é preciso contratar um novo, todos somos o presidente da Federação, todos temos o técnico perfeito que queríamos ver ao comando da Seleção. Ainda assim acho que muito poucas vezes o país esteve unanimemente de acordo como agora com a escolha de Fernando Santos. É normal, por tudo o que ele já fez no futebol em Portugal, tendo treinado os três grandes. Depois do excelente trabalho que fez na Grécia nos últimos anos a nível de clubes e especialmente na seleção helénica, o Fernando é hoje olhado como um deus para os gregos. No meu caso, como disse aqui há várias semanas atrás e volto a repetir: adorava ver o Luís Figo como manager, como máximo responsável da Seleção A. Queria que fosse ele a escolher o treinador. Certamente que a escolha do Luís também seria o Fernando Santos. Assim, a partir destas linhas quero desejar muita sorte ao míster Fernando Santos nesta nova etapa da sua vida e da sua carreira à frente da nossa Seleção. O meu desejo é que comece com um resultado positivo no primeiro jogo oficial, já na próxima terça-feira em Copenhaga contra a Dinamarca. Força mister!
GRANDE CALDEIRADA
Político horrível
No dia da sua apresentação pelo Queretaro do México, Ronaldinho foi insultado por um político. Carlos Manuel Treviño chamou de “símio” ao craque brasileiro através de uma rede social. Ronaldinho respondeu esta semana, dizendo “Basta, estamos cansados disto [racismo].” Desde estas linhas quero dar o meu máximo apoio ao génio Ronaldinho e dizer que também eu tenho tolerância zero com o racismo. Que este horrível e péssimo político mexicano seja irradiado para sempre de qualquer função pública.
NÓS LÁ FORA
“Gracias” Mestalla
Estas foram as palavras do Nuno Espírito Santo na conferência de imprensa, agradecendo o apoio dos seus adeptos na vitória da semana passada contra o meu Atlético Madrid. Como disse aqui há várias semanas, o Nuno está a fazer um trabalho excelente. Não só a nível tático, técnico ou de liderança dentro do balneário, mas também está ser muito inteligente na gestão das relações públicas com uma das “aficiones” mais exigentes do futebol espanhol. Hoje o Valencia está no segundo lugar da liga espanhola e o Nuno foi considerado o treinador do mês. E todos os adeptos che têm de dizer: “Gracias Nuno!”
DO MEU ÁLBUM
O grande sonho
Na passada quinta-feira assisti ao jogo da Seleção sub-21 no playoff de apuramento para o Europeu. Os miúdos venceram na Holanda por 2-0 e fizeram-me recordar a minha juventude. Ao contrário do normal, eu estreei-me primeiro na Seleção A e só depois fui por duas vezes aos sub-21. Mas todos estes miúdos têm o mesmo sonho que eu tinha desde que deram o seu primeiro pontapé numa bola. E não tenho dúvidas de que dentro de muito pouco tempo a grande maioria deles concretizará este grande sonho de criança que é jogar pela Seleção absoluta. Assim, aproveito este espaço para dar os meus parabéns ao Rui Jorge pelo grande trabalho que está a fazer com estes jovens e desejar toda a sorte do Mundo para estes miúdos fantásticos!