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Esta semana jogou-se a terceira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões e os três grandes clubes portugueses continuam na luta e a sonhar com a possibilidade de estarem nos oitavos-de-final.
OSporting perdeu injustamente por 4-3 na Alemanha contra o Schalke 04 com um penálti no último minuto que ninguém viu. Nem o árbitro, nem qualquer dos assistentes, nomeadamente o de baliza. Não viram porque simplesmente não existiu qualquer penálti. Foi uma grande penalidade inventada e hoje, passados vários dias daquela vergonha, ainda não acredito como é que os árbitros que estavam tão perto do lance, tendo hipóteses claras de ver perfeitamente que a bola bateu na cabeça e não no braço do Jonathan, não foram capazes de avisar o árbitro principal que não existia qualquer irregularidade.
Habitualmente, não gosto de falar dos árbitros. Posso entender que, no segundo golo dos alemães, o Huntelaar esteja alguns centímetros fora-de-jogo e o assistente nada tenha assinalado. Foi um lance normal, que acontece em quase todos os jogos, um erro que todos cometemos. Mas o episódio que viveram os jogadores do Sporting no último minuto, diante de toda aquela injustiça, leva-nos a pensar em malandrice. Não é possível que os três cometessem um lapso tão grave na mesma jogada. Um pode falhar... Mas os três em simultâneo? É impossível! Nesta situação já não acredito em erro humano. Seja pelos árbitros serem russos e o principal patrocinador do Schalke ser a Gazprom (uma empresa russa), seja por essa mesma empresa ser patrocinadora também da competição... Não sei qual a razão, mas o que é certo é que, naquele lance, os três árbitros não jogaram limpo.
Os jogadores leoninos têm que estar orgulhosos pelo desempenho que tiveram. Há muitas derrotas em que dás um passo atrás para dar dois à frente, e penso que é o caso do encontro da Alemanha. O Sporting continua na luta para conseguir este grande sonho de poder estar nos oitavos-de-final e tem de ganhar os próximos dois jogos em casa. Duas autênticas finais frente ao Schalke e ao Maribor, para que depois possam chegar ao último jogo em Londres, diante do Chelsea, com sérias possibilidades de se qualificarem em segundo lugar do grupo, atrás da equipa de José Mourinho.
OBenfica conseguiu o seu primeiro ponto no Mónaco e vimos a equipa do Jorge Jesus muito melhor que nos últimos dois jogos contra o Zenit e Leverkusen. Depois de um primeiro tempo muito equilibrado, e com poucas ocasiões de golo para ambas partes, no segundo período os benfiquistas demonstraram que são superiores ao Monaco e, pelas oportunidades criadas até à expulsão do Lisandro, podiam ter trazido os três pontos para Lisboa. Têm agora de ganhar os próximos dois jogos em casa frente ao Mónaco e Leverkusen e, pelo meio, construir um bom resultado na Rússia. Não tenho dúvidas que, se o Benfica continua a crescer como na segunda parte da última quarta-feira, pode ganhar os três jogos e alcançar os oitavos-de-final.
Por último, o FC Porto, com a vitória contra o Athletic Bilbao, fez sete pontos e deu um passo de gigante para estar na fase seguinte. A equipa de Lopetegui venceu por 2-1 com um golo de Quaresma. Uma semana em cheio para o jogador portista em que, depois de ser crucial para a vitória de Portugal na Dinamarca com uma assistência, agora, oito dias depois, dá os três pontos ao seu clube. O seu golo representa muito mais que três pontos. Aquela vitória significa estar com um pé e meio nos oitavos-de-final da competição de clubes mais importante do Planeta. Um craque é sempre um craque, e o Quaresma é mesmo craque!
GRANDE CALDEIRADA
Difícil de imaginar
O Dunga foi um jogador fantástico. Sem dúvida alguma que está entre os melhores trincos da história do futebol brasileiro. Foi campeão do Mundo em 1994 nos Estados Unidos. Hoje está a viver a sua segunda experiência como selecionador brasileiro. Sabemos que ele é um amante da disciplina e o jornal “Folha de São Paulo”, na última sexta-feira, expôs as novas normas que o Dunga vai impor na canarinha. Os jogadores estão proibidos de falar de política e religião. Até aí tudo bem. Mas, em termos de roupa e acessórios, também estarão proibidos de usar chapéus, chinelos e brincos. Será difícil imaginar o Neymar e a maioria dos jogadores brasileiros sem chapéu e brincos. A caldeirada estará montada com a primeira derrota.
NÓS LÁ FORA
De avião a jato
Claro que podia meter outro português esta semana, mas seria injusto não distinguir o Cristiano. O nosso menino, com o golo que fez em Inglaterra, contra o Liverpool, igualou o Raúl como máximo goleador da Liga dos Campeões, com 71 golos. Hoje recordo-me o que disse o Fernando Hierro quando era capitão do Real Madrid e o Raúl ainda tinha poucos anos de profissional: “O Raúl vem de Ferrari e vai bater todos os recordes.” Acertou. Hoje tenho que dizer que o Cristiano vem de avião a jato e vai bater tudo e todos. Impressionante o que está fazer o Ronaldo. Não há palavras.
DO MEU ÁLBUM
Dilema no Mónaco
A última vez que joguei no estádio do Monaco foi em 1993, no clássico, pelo Marselha. Já passaram 21 anos, mas nada mudou para aqueles lados. As pessoas parecia que estavam no teatro. Naquele estádio não acontece nada. Cada jogo para a massa associativa monegasca parece um amigável. Além disso, a relva continua irregular. Nunca sabia se devia jogar com pitons de borracha ou alumínio. Com borracha, acabavas por escorregar. Só que o terreno era tão duro e seco que, com alumínio, sentia-me sempre desconfortável. Jogar ali sem chuva era sempre um dilema.